10 de agosto de 2022

Tutu

 ۞ ADM Sleipnir

Tutu (de acordo com Câmara Cascudo, uma corruptela do termo africano quitutu, “ogro” ou “papão”) é uma espécie de bicho-papão, com influencias europeias e africanas e presente no folclore de várias regiões do Brasil. Aparecendo em diversas e antigas cantigas de ninar, ele é dito assombrar e devorar crianças que teimam em dormir, principalmente aquelas que choram e tentam persuadir os pais a permanecerem acordadas.

Seu nome e sua aparência costumam mudar conforme a região. Dentre os nomes pelos quais ele é conhecido estão Tutu-zambê (também cambê ou zambeta), Tutu-marabá (ou marambaia), Tutu-do-mato, Tutu-moringa, Tutu-roncador e Queixada. Geralmente sua aparência é vaga e disforme, sendo descrita como um vulto negro. Na Bahia, em particular, ele é descrito como um porco-do-mato (caititu) negro, e é dito ser parente do Bicho-Papão e da Cuca. No Nordeste, onde é conhecido como Queixada, ele apresenta dentes salientes que batem uns nos outros produzindo um ruído peculiar. 

Arte de Vinícius Galhardo

Como Tutu-moringa, ele apresenta uma barriga no formato de uma moringa de água. Este Tutu em particular é dito sair à noite procurando seus filhos, os quais foram sequestrados pelos portugueses e transformados em escravos. Ele vaga pelas florestas à procura deles, e ao encontrar uma criança, logo pensa se tratar de um de seus filhos. Conta-se que ao notar o engano, ele devora a criança sem deixar nenhum rastro dela.

Para espantar o Tutu, dizem que basta bater com o pé no chão e dizer: 

"Xô!... Tutu, vai-te embora que o menino não chora mais."

O Tutu-moringa, por sua vez, pode ser espantado ao se cantar a seguinte cantiga:

Vás-s'embora, Tutu-moringa

A toda a pressa

Pela restinga.

Corra, corra, vá ligeiro,

Tutu-moringa,

A toda pressa.

Seus filhinhos vão agora

Embarcados num veleiro.

Vá-s'embora,

Seu parola!

Arte de juliadragon

Uma cantiga oriunda do interior do Rio de Janeiro diz:

Tutu vá s’embora

Pra cima do telhado,

Deixa o nhonhô

Dormir sossegado.

Há também cantigas empregadas para "atrair" o Tutu e assim induzir a criança ao sono, como a cantiga a seguir:

Tu-ru-tu-tu

Do velho murundu,

Agarra este menino

Comei-o com angu.

ou

Tu-tu-ru-tu

Senhor Capitão,

Pegai este menino

Comei com feijão.

Tu-tu-ru-tu

Por detrás do murundu,

Pegai este menino

Comei com angu.


Cultura Popular

A série brasileira Cidade Invisível, produzida pela Netflix, trouxe vários personagens retirados folclore brasileiro, dentre os quais está o Tutu, interpretado pelo ator e cantor Jimmy London.

Arte de Iury Ribeiro

fontes:


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE 

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

9 de agosto de 2022

Ashnan & Lahar

۞ ADM Sleipnir

Ashnan, arte de Lalex

Ashnan (feminino, também chamada Ezina ou Ezina-Kusu) e Lahar (masculino) são uma dupla de divindades menores sumério/mesopotâmicas, associadas respectivamente aos grãos e ao gado. Foram criadas pelo deus Enki/Ea (ou segundo outras fontes, por Enlil) e enviadas à Terra com o dever de fornecer alimento para os deuses, porém passavam a maior parte do tempo se embriagando e disputando uma com a outra, e portanto não conseguiam cumprir seu dever com eficiência. Como resultado, os humanos foram encarregados de assumir suas tarefas.

Uma outra versão da lenda conta que na verdade os deuses não conseguiam consumir todo o alimento produzido pela dupla, e portanto, os humanos foram criados para consumir-los. Dessa forma, os esforços de Ashnan e Lahar não seriam desperdiçados.

fontes:


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

8 de agosto de 2022

Apaosha

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Mr.Tigrenok

Apaosha (Apaosa, Apaosh, Apush) é um demônio da seca e da aridez oriundo do zoroastrismo. Ele é a antítese de Tishtrya, uma divindade zoroastrista associada a estrela Sirius e guardiã da chuva. Ele é comparado e geralmente igualado ao asura hindu Vritra.

De acordo com um hino dedicado a Tishtrya presente nos Yashts (coleção de vinte e um hinos em avéstico que louvam as divindades do panteão zoroastrista), o deus confrontou Apaosha enquanto caminhava rumo ao mar cósmico Vourukhasha. Enquanto Tishtrya assumia a forma de um poderoso cavalo branco com orelhas douradas e cauda dourada, Apaosha assumiu a forma de um horrível cavalo preto com orelhas e cauda pretas. Eles lutaram por três dias e três noites, até que Apaosha foi capaz de repelir e afugentar Tishtrya.

Tishtrya então reclama com Ahura Mazda que ele estava enfraquecido porque a humanidade não lhe deu as devidas orações e sacrifícios. O próprio Ahura Mazda então oferece sacrifício a Tishtrya, que agora fortalecido, confronta Apaosha novamente e desta vez consegue derrotá-lo. Tishtrya então convoca a chuva para combater a seca que Apaosha havia infligido à terra, e tudo fica bem novamente.

Esta lenda foi interpretada como uma fusão mitológica de um evento sazonal e astronômico: o nascimento helíaco (momento em que um corpo celeste torna-se visível no horizonte imediatamente antes do nascer do Sol, estando suficientemente afastado para que não seja ofuscado pelo brilho dele) da estrela Sirius, com o qual Tishtrya está associado, ocorre em julho, pouco antes da época mais quente e seca do ano. Nos dias seguintes, Sirius é visível ao amanhecer como uma estrela oscilante (Tishrtrya batalhando contra Apaosha). Nos tórridos meses de verão, à medida que Sirius se torna mais diretamente visível, a luz da estrela parece ficar mais forte (Tishtrya ganhando força) até que seja constantemente visível no firmamento (Apaosha derrotado). Com a derrota de Apaosha, começa a estação chuvosa (no final do outono).

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

5 de agosto de 2022

Basan

۞ ADM Sleipnir

Arte de Hana-Keijou

Basan (japonês 波山 ou ばさん, ou Basasaba,婆娑婆娑, ambos nomes referentes ao som de suas asas batendo; também chamado de Inu hōō, 犬鳳凰 , “cão fênix”) é uma rara espécie de yokai dita somente ser encontrada nas montanhas de Ehime, localizadas na ilha de Shikoku, no Japão. Ela foi ilustrada por Toriyama Sekien no Gazu Hyakki Yagyō  (鳥山石燕 画図百鬼夜行, "A Ilustrada Parada Noturna de Cem Demônios"), o primeiro livro de sua famosa tetralogia e publicado em 1776, e por Takehara Shunsen no Ehon Hyaku Monogatari (絵本百物語, "Livro Ilustrado de Cem Histórias"), publicado por volta de 1841.

Semelhantes em aparência à galinhas e possuindo o tamanho de um peru, os Basan são facilmente reconhecidos por sua crista vermelha brilhante e por sua plumagem colorida e igualmente brilhante, a qual assemelha-se à línguas de fogo. Sua característica mais notável é a sua respiração, que flui visivelmente de sua boca como se fosse fogo, embora não emita calor e nem seja capaz de queimar.

Basan são yokais totalmente noturnos, e pouco se sabe sobre seu comportamento. Eles fazem seus ninhos em bosques de bambu remotos, longe de quaisquer atividades humanas. Madeira carbonizada e brasas compõem sua dieta, e eles costumam vagar por vilas remotas à noite para se banquetear com restos de fogueiras ou de carvão. Quando satisfeitos ou assustados, eles batem suas asas criando o distinto som farfalhante “basabasa”, do qual se origina o seu nome. Dizem que que eles desaparecem no ar quando percebem que foram vistos por alguém.

fonte: 


‌‌CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTAGENS DA SÉRIE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

4 de agosto de 2022

Malphas

۞ ADM Sleipnir

Arte de Omega Black

Malphas (também Malpas, Malthas ou Malthous) é de acordo com a demonologia um grande presidente do inferno, possuindo quarenta legiões de demônios sob o seu comando. De acordo com a Goetia, ele é o 39º dentre os 72 espíritos de Salomão. 

Quando invocado, Malphas aparece diante de seu invocador inicialmente como um corvo, assumindo caso lhe seja solicitado uma forma humana e fala com uma voz rouca.

Selo de Malphas

Malphas é um mestre em edificações, sendo capaz de construir casas, torres e fortalezas inexpugnáveis, e também pode reunir rapidamente toda a sorte de artesãos para trabalhar em prontamente nas mesmas. Ele pode trazer ao conhecimento do seu invocador os pensamentos dos inimigos. Se seu invocador desejar, Malphas pode destruir seus inimigos e suas edificações, não importa o quanto protegidos ou fortes sejam.

Arte de Fabio Listrani

Malphas pode fornecer ao seu invocador bons familiares, e atende prontamente aos pedidos caso lhe seja oferecido algum sacrifício, porém deve-se ter cautela ao fazê-lo pois ele é um espírito bastante traiçoeiro e pode enganá-lo. 

Cultura Popular
  • Assim como outros espíritos goetianos, Malphas aparece na franquia de jogos Shin Megami Tensei, aparecendo também na franquia Castlevania (Symphony of the Night, Dawn of Sorrow e Portrait of Ruin);
  • Em Devil May Cry 5, Malphas é um demônio feminino, e o antagonista secundário do protagonista Nero;
  • Em Bayonetta e Bayometta 2, Maplhas pode ser convocado para acabar com os inimigos no ar. Ele também dá a Bayonetta o poder de voar;
  • Malphas é um misterioso demônio presente no game de terror de sobrevivência FAITH;
  • Em Tome of Magic: Pact, Shadow and True Name Magic, suplemento de Dungeons & Dragons lançado em 2006, Malphas aparece como um "vestígio" com o qual os personagens podem fazer um pacto em troca de poder;
  • No mangá Gun x Clover, há um personagem chamado Mammon Malphas, conhecido pela alcunha de Corvo;
  • Em Gaikotsu heishi wa Danjon o mamorenakatta, Malphas é um dos 16 Lordes Demônios. Ele também é conhecido como o Rei do Sacrifício.


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTAGENS DA SÉRIE
✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

3 de agosto de 2022

A Origem do Guaraná

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Taisiya Kulygina

O Guaraná é uma fruta típica da Amazônia, encontrada no Brasil e Venezuela. Ela é pequena, envolta por uma casca vermelha e com uma polpa branca em seu interior que a faz ter uma aparência que lembra a de um olho. Ela possui ainda uma substância semelhante à cafeína, chamada guaraína, conhecida por diminuir a fadiga e aumentar a resistência mental. Devido a sua propriedade estimulante, ela é utilizada para a fabricação de xaropes, barras, pós e refrigerantes. 

Uma lenda oriunda da tribo indígena Sateré-Mawé narra a origem mitológica dessa fruta. Segundo ela, há muito tempo havia um casal de índios que desejava ter um filho mas apesar de muito tentarem, não conseguiam gerar uma nova vida. Um dia, resolveram recorrer ao deus Tupã, clamando para que ele concedesse-lhes a graça de ter um filho.

O desejo do casal foi atendido, e eles tiveram um menino que reunia muitas qualidades: era bonito, saudável, generoso e muito inteligente, sendo querido por todos de sua aldeia. Tudo levava a crer que no futuro, ele seria um grande chefe. Tantos atributos positivos despertaram a atenção e a inveja de Jurupari, o deus do mal, que resolveu matá-lo enquanto ainda era criança. Geralmente, o pequeno índio estava sempre acompanhado, e assim era resguardado de qualquer perigo, mas Jurupari aproveitou um momento no qual o menino estava sozinho colhendo frutos na floresta para atacá-lo. Transformando-se em uma serpente, Jurupari aproximou-se dele e o picou.

Arte de Dayv Miranda

Tupã mandou trovões ensurdecedores, tentando alertar os pais do menino sobre o perigo que ele corria, mas eles não foram capazes de chegar a tempo de evitar que o pior acontecesse. Ao encontrá-lo, ele já havia morrido devido a ação do veneno da serpente.

Não só os pais do menino, mas toda a sua tribo foi tomada por uma grande tristeza. Diante de tamanha comoção, Tupã aconselhou os pais à recolherem os olhos da criança e os plantarem no solo. Eles deveriam regá-los durante quatro luas, e deles nasceriam uma nova planta, capaz de dar força aos guerreiros e vigor aos velhos da tribo. Os pais do menino seguiram o conselho de Tupã e plantaram os olhos do filho no solo onde sua tribo vivia, e os regaram com lágrimas todos os dias. Passadas as quatro luas, nasceu no local uma planta cujo fruto, o guaraná, se assemelhava aos olhos humanos. E assim como Tupã havia dito, a fruta trouxe progresso à tribo, ajudando os velhos e dando mais força aos guerreiros.

Arte de Gustavo Matsunaga

fontes:


CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE 

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

2 de agosto de 2022

Gallo de la Muerte

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

O Gallo de la Muerte ("Galo da Morte") é uma criatura pertencente ao folclore do município de Potes, na Cantábria (comunidade autônoma localizada ao norte da Espanha). Como seu nome sugere, o Gallo de la Muerte é um precursor da morte, a qual alcança aqueles que ouvem o seu canto maldito (algo como quiquiriquí) no dia seguinte. 

O Gallo de la Muerte é descrito como possuindo a aparência de um galo comum, com exceção de suas cores. Sua plumagem é completamente preta, e sua crista é de cor branca, possuindo manchas azuis e avermelhadas. Segundo o folclore, seu nascimento se dá da seguinte maneira:  a cada cem anos, um milhafre (uma espécie de gavião) nas montanhas espanholas põe um ovo vermelho em um arbusto de tojo (uma planta de flores amarelas, típica da Europa). Desse ovo, nasce um pássaro preto e branco, maior que uma galinha, que vive exatamente cinquenta anos. Quando esse pássaro morre, um verme verde emerge de sua carne podre, e gradualmente se metamorfoseia em um Gallo de la Muerte.

Uma vez que alguém ouve o seu canto, só é possível evitar a morte certa consumindo um remédio especial feito com uma erva particular, de folhas azuis e raízes pretas, que nasce entre as macieiras nas montanhas do início da primavera até o mês de maio. Essa erva deve ser fervida em água de alecrim, e antes de ser embebida, deve-se orar sobre ela ou não terá o efeito desejado.

Arte de Peyeyo

fontes:

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.

1 de agosto de 2022

Coblynau

۞ ADM Sleipnir

Arte de Juan Acosta

Os Coblynau são uma espécie de gnomos mineiros pertencentes ao folclore galês, ditos assombrarem minas e pedreiras do País de Gales. Diz-se que eles possuem cerca de meio metro de altura e que são seres muito feios. Eles vestem roupas de mineiros, carregam pequenas ferramentas de trabalho e lanternas, mas, apesar de todo o esforço, suas tarefas são sempre deixadas inacabadas. 

Quando estão irritados, Coblynau causam deslizamentos de rochas, porém eles costumam ser amigáveis ​​e prestativos com as pessoas, em particular com os mineiros, ajudando-os a encontrar veios de ouro e outros metais preciosos através de sons de batidas. Eles se assemelham bastante a outra espécie de gnomo presente no folclore da Cornualha, os Knockers (também chamados de Tommyknockers).

Arte de Melanie Steinke

fonte:


‌‌CLIQUE NO BANNER ABAIXO PARA MAIS POSTS SOBRE

✦ Apoie o Portal dos Mitos ✦

Seu comentário, sugestão ou apoio ajuda o blog a continuar publicando novos conteúdos sobre mitologia, folclore e criaturas lendárias.