12 de maio de 2021

Jarjacha

۞ ADM Sleipnir


Jarjacha é uma criatura presente no folclore dos povos andinos, principalmente no Peru e Bolívia. Segundo a lenda, trata-se de um ser humano que foi punido por Deus por ter cometido incesto, sendo transformado numa criatura medonha. Sua descrição costuma variar, sendo relatado como uma criatura com corpo de raposa e cabeça de lhama, uma criatura com corpo de puma e duas ou três cabeças de raposa ou lhama, ou ainda mais comumente, uma criatura com corpo de lhama e rosto humano. Algumas histórias afirmam que o Jarjacha só assume sua forma de monstro durante a noite, sendo um humano comum durante o dia.


O  Jarjacha pode ser encontrado em regiões montanhosas, onde costuma aterrorizar as pessoas com um grito estrondoso cujo som dá origem ao seu nome. Dizem que ele tem o poder de hipnotizar ou matar suas vítimas somente olhando-as nos olhos. A criatura pode ser morta, mas para isso é necessário que um grupo de pessoas a embosque, munidos de crucifixos e objetos de metal que possam ser usados como arma, como picaretas ou machados. Nos mitos onde o Jarjacha se transforma somente à noite, conta-se que o mais benéfico a se fazer é capturá-lo vivo, e ao amanhecer, após recobrar sua forma humana, chantageá-lo por uma grande quantia em dinheiro para não revelar a ninguém sua identidade e fazer com que todos saibam que ele cometeu o terrível pecado do incesto com um de seus filhos.

O mito do Jarjacha é famoso entre a comunidade andina, sendo muitos os relatos de pessoas que afirmam terem visto ou ouvido esta criatura. Ao que tudo indica, esse mito foi disseminado pela Igreja Católica, com o intuito de  alertar os habitantes dos perigos de se ter relações sexuais entre membros de uma mesma família, algo que era muito comum em comunidades isoladas de montanhas.


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10 de maio de 2021

Dijiang

۞ ADM Sleipnir

Arte de blckxeepxiii

Dijiang (Ti-chiang, em chinês 帝江) é uma criatura mítica do folclore chinês, que de acordo com o clássico texto chinês Shan Hai Jing (chinês 山海經, "Clássico das Montanhas e Mares"), habitava em uma montanha chamada Tianshan (“Montanha do Céu”). Ela é descrita como um estranho pássaro com cerca de 1,8 metros de altura, e dotado de quatro asas e seis pernas em um corpo de coloração vermelho vivo e brilhante ou amarelo com uma aura vermelha ao redor, como se fossem chamas. A sua principal característica no entanto é que ela não possui nem cabeça e nem um rosto em lugar algum do corpo, vivendo num estado de confusão constante. Conta-se que Dijiang produz um som que lembra uma canção, e se movimenta de uma forma que parece estar dançando.

Dijiang é frequentemente associado à outra criatura chamada Hundun, um dos chamados Quatro Perigos (chinês: 四凶, Sì Xiōng) e descrito como sendo um ser do caos primordial. Hundun e Dijiang compartilham o fato de não possuírem cabeça ou rosto, e no caso do Hundun, ele é dito não possuir nenhum orifício sequer em seu corpo. Para alguns estudiosos, Dijiang é de fato Hundun, e na cultura popular os dois são constantemente vistos como a mesma criatura.

Cultura Popular

Um Dijiang chamado Morris está presente no filme da Disney/Marvel Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. 

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7 de maio de 2021

Medjed

۞ ADM Sleipnir


Medjed ("batedor" ou "castigador") é uma divindade egípcia extremamente obscura, mencionada apenas uma vez no Livro dos Mortos, coletânea de feitiços, fórmulas mágicas, orações, hinos e litanias do Antigo Egito. Sua única menção na obra diz: "Eu conheço o nome daquele batedor (Medjed) entre eles, que pertence à Casa de Osíris, que atira com o olho, mas não é visto".

Imagem do papiro de Greenfield, cuja figura no centro provavelmente representa Medjed

Na cultura popular

Um papiro, conhecido como Papiro de Greenfield, e contendo fragmentos do Livro dos Mortos, fez Medjed sair do obscurantismo e alcançar a fama. O Papiro de Greenfield, que hoje é propriedade do British Museum de Londres, teve algumas de suas folhas colocadas em exibição no ano de 2012 em dois museus japoneses: o Museu de Arte de Mori em Tóquio e no Museu de Arte de Fukuoka. Nessas exibições, uma das folhas trazia uma figura com uma aparência que lembra e muito um fantasma (como aqueles do Pac-man). Essa figura, cujo um texto no papiro chama de Medjed, cativou os japoneses. 


Não demorou muito, e Medjed tornou-se uma sensação no Japão, ganhando fama como meme na internet e nas redes sociais japonesas, além de se tornar personagem em jogos de videogame, como os mobiles games Soratubu Medjed-niisan e Puzzle & Dragons. Em Persona 5, Medjed é o nome de um grupo de hackers. Melhor dizendo, era o pseudônimo de um adorável hacker que mais tarde se tornou o nome de todo o grupo.

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5 de maio de 2021

Nanã Buruku

۞ ADM Sleipnir

Arte de peter isedeh

Nanã Buruku (também conhecida como Nanã Buluku, Nanã Buku, Nanan-bouclou, Nanã Buruquê, Olisabuluwa) é a divindade suprema oriunda da religião vodu dos povos Fon, no Benin, e posteriormente incorporada ao panteão de orixás da religião Iorubá. Ela foi responsável por dar início a criação do universo, e sem depender de um consorte (pois ela própria era um ser com características masculinas e femininas), gerou uma dupla de deuses gêmeos chamados Mawu e Lisa, conhecidos e cultuados como a divindade andrógina e composta Mawu-Lisa. Após o nascimento de Mawu e Lisa, Nanã Buruku se retirou da criação, deixando que seus filhos terminassem a criação.

Nanã Buruku é umas das divindades mais reverenciadas nas religiões da África Ocidental, estando presente em várias tribos além da Fon, como nas comunidades Ewe no Togo e em partes de Gana, bem como entre os Acãs. Ela também está fortemente presente e reverenciada na Nigéria, entre as comunidades tradicionais Iorubá e Igbo. Durante a época onde o comércio de escravos estava em plena atividade, a crença em Nanã Buruku seguiu com seu povo, indo parar na América em vários lugares como as ilhas do Caribe, Haiti e Suriname, além de estar muito presente em comunidades da América do Sul, principalmente no Brasil nos Candomblés Jeje e Ketu.

Na religião e mitologia Iorubá

Nanã Buruku foi incorporada há séculos pela religião ioruba, quando o povo nagô conquistou o povo de Dahomey (atual República do Benin), assimilando sua cultura e incorporando algumas divindades dos dominados à sua mitologia já estabelecida. Nanã tornou-se uma importante orixá, considerada a mais antiga deles e associada às águas paradas, à lama dos pântanos e manguezais e também à vida (reencarnação) e a morte (desencarne). Usualmente, ela é descrita como uma anciã trajando roupas nas cores lilás, anil e branco.


Em uma versão da lenda sobre a criação dos humanos envolvendo Nanã, o orixá supremo Olorum encarregou Oxalá da tarefa de criar o modelo que daria forma ao homem. Entre tantas alternativas, Oxalá tentou fazer uso do vento, da madeira, da pedra, do fogo, do azeite e até do vinho. Contudo, apesar de tanto esforço, Oxalá percebeu que nenhum material era maleável o suficiente para que ele executasse a tarefa. Foi quando Nanã retirou uma porção de barro do fundo do lago em que morava. Utilizando aquele material, Oxalá conseguiu finalmente dar forma ao homem. Logo em seguida, Olorum pegou o modelo e com um sopro lhe concedeu força vital para realizar tarefas. Depois disso, os outros orixás se encarregaram de ajudar o homem a povoar as terras do mundo. Como os homens foram feitos usando um elemento que pertence à Nanã, eles não podem viver para sempre, pois o barro que ela cedeu um dia tem que voltar para ela.

Em outra lenda, Nanã desprezou seu filho primogênito Omulu, fruto de sua relação com Oxalá, pois este havia nascido com várias doenças de pele. Ela o abandonou numa praia, onde Iemanjá o achou quase morrendo, e o curou e criou como se fosse sua mãe, dando todo o amor e carinho. Ao tomar conhecimento do que Nanã fez, Oxalá condenou-a a ter mais filhos, os quais nasceriam anormais (Oxumarê, Ewá e Ossaim), e a expulsou do reino, ordenando-lhe que fosse viver num pântano escuro e sombrio.

Outra lenda conta que certa vez os orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria escolheu Ogum, pois ele é o orixá do ferro, o que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não era tão importante assim, torceu com as próprias mãos o pescoço dos animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.



fontes:
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3 de maio de 2021

Dain, Dvalin, Duneyr e Durathror

۞ ADM Sleipnir



Dain (antigo nórdico: Dáinn, "O Morto"), Dvalin (antigo nórdico: Dvalinn, "O Inconsciente"), Duneyr (antigo nórdico: Duneyrr, "Trovejando no ouvido") e Durathror (antigo nórdico: Duraþrór, "Sono Próspero") são quatro cervos presentes na mitologia nórdica, que vivem à roer os galhos e folhas de Yggdrasil, a árvore que sustenta os nove mundos nórdicos.

Os quatro são atestados na Edda Poética, no verso 33 do poema Grímnismál, sendo esta a única fonte antiga a mencioná-los, e devido a isso, não se sabe muito mais sobre eles. Alguns historiadores e antropólogos relacionam esses cervos às quatro estações, enquanto outros afirmam que eles representam as quatro fases da lua. Um arqueologista e estudioso islandês chamado Finnur Magnússon (1781-1847) sugeriu em sua relevante obra Eddalæren og dens Oprindelse ("O Folclore Édico e Sua Origem", de 1824) que os cervos representavam os ventos. Com base na interpretação de seus nomes, ele considerou Dain e Dvalin representações de ventos calmos, e Duneyr e Durathror representações de ventos fortes. Finnur notou ainda que os anões que sustentam os pontos cardeais (Nordri, Sudri, Austri e Vestri) são associados aos ventos, e que dois dos nomes dos cervos, Dain e Dvalin, também são nomes de anões. 



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30 de abril de 2021

Tsuchigumo

۞ ADM Sleipnir


Tsuchigumo (japonês 土蜘蛛 ou つちぐも, "aranha da terra", também chamada de yatsukahagi ou ōgumo,“aranha gigante") é uma espécie de yokai do folclore japonês, dita assumir a forma de aranhas gigantes e dessa forma serem capazes de devorar animais e até mesmo seres humanos. Além do seu enorme tamanho, estes yokais são ditos possuírem corpos com aparências similares a onis ou, mais comumente, tigres.

Tsuchigumo vivem nas florestas e montanhas, construindo suas moradas em tubos de seda dos quais eles emboscam as presas que passam por perto. Como outras aranhas-yokai, eles usam de ilusões e trapaças para atrair e enganar suas vítimas. Enquanto os Jorō-gumo usam sua sexualidade para seduzir homens jovens, os tsuchigumo possuem uma seleção mais ampla de truques, e, muitas vezes, também ambições maiores.


Lendas

Histórias envolvendo o lendário guerreiro Minamoto no Yorimitsu (também conhecido como Minamoto no Raikō) contêm numerosos encontros com um tsuchigumo. Em uma delas, um tsuchigumo se transformou em um jovem servo para administrar veneno na forma de remédio ao famoso guerreiro. Como suas feridas não estavam cicatrizando e o remédio parecia não estar funcionando, Yorimitsu suspeitou do crime. Ele então cortou o jovem servo com sua espada, e o mesmo fugiu correndo em direção à floresta. O ataque quebrou a poderosa ilusão que o yokai havia colocado em Yorimitsu, e ele descobriu que estava coberto por teias de aranha. Yorimitsu e seus homens seguiram o rastro de sangue até as montanhas, onde descobriram um aracnídeo gigantesco e monstruoso - morto pelo ferimento que Yorimitsu havia causado.

Em uma variação dessa história, Yorimitsu estava acamado com malária, quando um monge alto e estranho apareceu diante dele e tentou capturá-lo com uma corda. Apesar de estar doente, Yorimitsu desembainhou a espada e cortou o monge, que fugiu. No dia seguinte, Yorimitsu e seus quatro homens mais próximos seguiram a trilha de sangue deixada pelo monge até um monte localizado atrás do Santuário Kitano, em Kyoto, onde encontraram uma aranha com cerca de 1,2 metros de largura. Yorimitsu e seus homens a pegaram, perfuraram com um espeto de ferro e a expuseram ao leito de um rio, após o que a doença de Yorimitsu foi curada. 

A Aranha da Terra morto pelos retentores do herói Raiko (impressão em xilogravura a cores) de Utagawa Kuniyoshi

Em outra lenda, um tsuchigumo assumiu a forma de uma bela mulher guerreira e liderou um exército yokai contra o Japão. Yorimitsu e seus homens encontraram o exército yokai no campo de batalha. Com sua experiência em tais assuntos, Yorimitsu atacou primeiro a general do exército inimigo. Ao desferir um golpe e acertar a general, o seu exército inteiro desapareceu - eram todos apenas uma ilusão criada pela yokai. 

A tsuchigumo fugiu do campo de batalha e se refugiou numa caverna nas montanhas próximas. Yorimitsu e seus homens a seguiram, e ao entrar na caverna se depararam com uma aranha gigante. Com um golpe de sua espada, Yorimitsu abriu seu abdômen, e milhares de bebês aranhas do tamanho de bebês humanos saíram de sua barriga. Yorimitsu e seus homens mataram cada uma das aranhas e voltaram para casa vitoriosos.

"Raiko atormentado pela aranha da terra"(impressão em xilogravura a cores) de Utagawa Kuniyoshi

Outro uso para o nome

O nome Tsuchigumo também foi usado para se referir a grupos ou indivíduos no Japão antigo, como bandidos, que usavam táticas de guerrilha. Isso também se aplica a líderes ou clãs indígenas que resistiram à corte de Yamato à medida que ela se espalhava e consolidava seu controle sobre o Japão. Muitos desses grupos viviam em montes de terra ocos e podem ter usado cavernas como esconderijos. Há muita ambiguidade nas fontes e não está claro se o termo foi usado pela primeira vez para se referir à pessoas ou aos yokai.

Arte de Sa-chan1603

fonte:

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28 de abril de 2021

Cavalos de Ares

 ۞ ADM Sleipnir

Arte de Oriana Merendez

Os chamados Cavalos de Ares (grego: Ἱπποι Αρειοι, translit: Hippoi Areioi) são quatro cavalos imortais que puxavam a carruagem do deus da guerra Ares. Seus nomes eram Eton (grego: Αιθων, "ígneo"), Flogios (grego: ολογευς, "flamejante"), Conabos (grego: Κοναβος,"barulho conflitante") e Fobos (grego: Φοβος, "pânico"; homônimo do deus do medo).

Os quatro eram filhos de Bóreas (o deus que personifica o vento norte) com a erínia Tisífone, e conta-se que além de serem rápidos, esses cavalos expeliam chamas de suas narinas, o que tornava a chegada de Ares nos campos de batalha uma visão ainda mais assustadora.

Ares em sua carruagem puxada pelos Hippoi Areioi, e acompanhado da deusa Afrodite e do deus Eros. Vaso ateniense datado do séc. V a.C.


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26 de abril de 2021

Dodecaedros Romanos

۞ ADM Sleipnir

Os chamados dodecaedros romanos são pequenos objetos ocos de bronze ou pedra, medindo entre 4 e 12 cm de diâmetro e dotados de 12 faces planas e pentagonais, com orifícios de diâmetros variados em cada uma dessas faces e pequenas protuberâncias em cada uma de suas vértices. Cerca de 100 desses objetos, datados dos séculos III ou II a.C.. foram encontrados em regiões que estiveram sob a influência do império Romano, desde o País de Gales até o Mediterrâneo, com a maioria sendo descoberta na Alemanha e na França. 

A função e utilidade desses objetos permanece um mistério até os dias de hoje. Embora os romanos geralmente fossem meticulosos em manter registros escritos de tudo o que faziam, ninguém jamais encontrou um registro que citasse ou descrevesse para que esses objetos eram usados.

Diversos estudiosos modernos especularam ou tentaram deduzir para o que esses dodecaedros serviam. As teorias são muitas: castiçais; dados; armas de guerra; brinquedos; instrumentos de análise; mecanismos para determinar a época das colheitas; mecanismos utilizados para calibrar sistemas de canalização ou na confecção de cordas para navegação e ainda objetos para apoio de estandartes do exército. Uma teoria afirma ainda que eles podem ser uma espécie de artefato religioso ou astronômico, uma vez que muitos deles foram encontrados em templos.

Independente do propósito para o qual serviam, os dodecaedros eram objetos bastante comuns em todo o Império Romano. Até que seja encontrado algum registro escrito ou se descubra um desses dodecaedros dentro de um contexto no qual possa ser determinada a sua utilidade, eles permanecerão um mistério.

fontes:

  • https://pt.wikipedia.org
  • https://listverse.com/2014/11/08/10-authentic-historical-artifacts-no-one-can-explain
  • http://ancients-bg.com/the-roman-dodecahedrons

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