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| Arte de Katarzyna Przeździecka |
Morana (também chamada de Morena, Marzanna, Mara ou Mora) é uma figura da mitologia e do folclore eslavo associada ao inverno, à morte, aos sonhos e aos ritos sazonais de morte e renascimento da natureza. Seu nome varia conforme a região: Marzanna é a forma polonesa mais conhecida, enquanto Morana, Morena, Mora, Mara e Marena aparecem em outras tradições eslavas. A antiga religião eslava é conhecida por meio de fontes fragmentárias, registros folclóricos, textos medievais cristãos e estudos comparativos. Por isso, Morana não aparece como uma divindade com uma mitologia única e uniforme em todos os povos eslavos, mas como uma figura ligada a diferentes tradições locais relacionadas ao inverno, à morte simbólica da vegetação e à chegada da primavera.
Morana é geralmente interpretada como uma personificação do inverno, do frio e da morte da natureza durante os meses mais escuros do ano. Sua figura também pode ser associada à doença, à esterilidade sazonal e ao desaparecimento temporário da vegetação. No ciclo agrícola, ela representa o período de declínio da natureza que antecede o retorno da fertilidade e do crescimento vegetal.
Nome e etimologia
O nome de Morana é frequentemente relacionado a raízes indo-europeias e eslavas associadas à morte, à doença ou ao desaparecimento. Formas próximas, como Mara e Mora, também aparecem em tradições eslavas ligadas a sonhos, aparições, visões e pesadelos. Essa proximidade ajuda a explicar por que Morana, em algumas interpretações, é associada não apenas ao inverno e à morte, mas também ao mundo dos sonhos e das experiências noturnas.
Apesar da semelhança entre os nomes, Morana e a Mora ou Zmora do folclore nem sempre devem ser entendidas como a mesma figura. A Mora ou Zmora é descrita em algumas regiões como um espírito noturno que atormenta as pessoas durante o sono, causando sensação de sufocamento, medo ou opressão no peito. Já Morana aparece principalmente como figura sazonal ligada ao inverno, à morte e aos rituais de renovação.
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| Arte de KateVoynova |
O ritual de Marzanna
O aspecto mais conhecido associado a Morana é o ritual de destruição de uma boneca de palha, chamada de Marzanna na Polônia. A efígie costuma ser feita de palha, panos e roupas femininas, podendo ser decorada com fitas, colares, ramos ou elementos do traje local. Em seguida, é carregada pela comunidade até um rio, lago, riacho ou poça d’água, onde é afogada, queimada ou destruída de ambas as formas. O ritual marca a despedida do inverno e a chegada da primavera. A destruição da boneca representa a expulsão simbólica do frio, da morte e das doenças, abrindo espaço para o retorno da vegetação e da fertilidade da terra.
Esse costume é registrado em países como Polônia, República Tcheca, Eslováquia e Lituânia. Em polonês, é conhecido como Topienie Marzanny, expressão que pode ser traduzida como “afogamento de Marzanna”. Em tradições tchecas e eslovacas, aparecem nomes relacionados à ideia de levar embora a morte ou expulsar Morena.
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| Arte de dante-mk |
Em algumas tradições regionais da Polônia e da Silésia, a efígie de Marzanna era relacionada de forma direta à morte. James George Frazer registra, em The Golden Bough, que em certas áreas polonesas da Alta Silésia uma figura chamada Marzana, descrita como deusa da morte, era confeccionada na casa onde ocorrera a última morte da aldeia. Em seguida, era levada na ponta de uma vara até os limites do povoado e lançada em um lago ou queimada. Esse costume fazia parte de um conjunto mais amplo de ritos conhecidos como “levar a Morte para fora”, associados à proteção da comunidade contra doenças, peste e morte prematura.
Com o tempo, a prática perdeu parte de seu caráter religioso original e passou a sobreviver principalmente como costume folclórico, escolar ou comunitário.
O gaik e a chegada da primavera
Em algumas regiões, a destruição de Morana era acompanhada por outro costume: o retorno à aldeia com ramos verdes, galhos de pinheiro ou uma pequena árvore decorada com fitas, flores e cascas de ovos. Esse elemento, conhecido em polonês como gaik, representava a primavera, a vegetação renovada e o retorno da vida após o inverno.
A combinação desses dois gestos reforça o sentido do ritual. Primeiro, a comunidade levava Morana para fora da aldeia, simbolizando a expulsão do frio, da morte e das doenças. Depois, retornava com sinais verdes de renovação, marcando a entrada da primavera e o recomeço do ciclo natural.
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| Arte de Adriana Zaroda |
Associações agrícolas
Além da relação com a morte e o inverno, algumas fontes registram Marzanna como uma figura ligada aos frutos e às árvores frutíferas. Essa associação aproxima a personagem do ciclo agrícola, no qual a morte simbólica do inverno antecede o retorno da fertilidade e da vegetação na primavera.
Interpretações e fontes medievais
Algumas fontes medievais cristãs tentaram interpretar Morana por comparação com divindades greco-romanas. O Mater Verborum, manuscrito tcheco do século XIII, associou-a a Hécate, provavelmente por causa de temas como morte, noite e feitiçaria. Já o cronista polonês Jan Długosz, no século XV, comparou-a a Ceres, deusa romana da agricultura, ao lado de Dziewanna.
Relação com outras figuras sazonais
Em estudos e reconstruções modernas da mitologia eslava, Morana é frequentemente colocada em oposição a figuras associadas à primavera, à fertilidade e à renovação da vida, como Vesna, Lada ou Kostroma. Essa oposição expressa a passagem do inverno para a estação do florescimento, marcada pelo retorno da vegetação e pelo recomeço do ciclo agrícola.
Morana também aparece, em algumas interpretações, relacionada a Jarilo ou Yarilo, figura associada à vegetação, à fertilidade e ao retorno da vida. Nessas leituras, a relação entre Morana e Yarilo simboliza a sucessão das estações e o contraste entre morte e renovação. Essas associações pertencem sobretudo ao campo das reconstruções comparativas da mitologia eslava, baseadas em registros folclóricos, canções rituais e paralelos sazonais.
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| Arte de devil-devilishes |
- Wikipedia — Morana (goddess). Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Morana_(goddess)>;
- Dixon-Kennedy, Mike. Encyclopedia of Russian and Slavic Myth and Legend. Disponível em: <https://archive.org/details/pdfy-hJCUau7KTHC-pnd2>;
- Frazer, James George. The Golden Bough: A Study in Magic and Religion. Disponível em: <https://www.gutenberg.org/files/3623/3623-h/3623-h.htm;
- Culture.pl — 7 Confusing Polish Customs. Disponível em: <https://culture.pl/en/article/7-confusing-polish-customs>;
- Gajetti, Giuliano. Marzanna: A Supernatural Figure of Death in Slavic Phraseology. Disponível em: <https://www.academia.edu/128442488/Marzanna_A_Supernatural_Figure_of_Death_in_Slavic_Phraseology>;
- Pieńczak, Agnieszka; Povetkina, Polina. The Polish Nightmare Being (Zmora) and the Problem with Defining the Category of Supernatural Double-Souled Beings. Disponível em: <https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/0015587X.2022.2088957>;
- Kropej, Monika. Supernatural Beings from Slovenian Myth and Folktales. Disponível em: <https://ia600801.us.archive.org/34/items/monika-kropej-supernatural-beings-from-slovenian-myth-and-folktales-2012/Monika%20Kropej%20-%20Supernatural%20Beings%20from%20Slovenian%20Myth%20and%20Folktales%20%282012%29.pdf>;
Morana





em fim,quem é larovit? como ele entrou nisso tudo,e se esse tal de ''larovit'' traiu morara,pq yarilo morreu? e pq perun matou sei lá qm mais,se a traida foi morana? '-'
ResponderExcluirIarovit = Yarilo, é outro nome dele, esqueci de substituir apenas. Yarilo traiu Morana, e, para vingá-la, Perun o matou. Consertei o texto, e espero ter sanado a dúvida!
ExcluirAdoro divindades voltadas ao inverno, morte, noite e etc. *---*
ResponderExcluirOi Sleipnir, site sem comparação, incrível de bom mesmo. Só uma pequena correção, a visão dualista de bem/mal ou luz/trevas não se iniciou apenas com o cristianismo, mas provém principalmente do Zoroastrismo Persa, embora outras proto-religiões também já demonstrassem esta inclinação, tal como o paganismo proto-hebraico.
ResponderExcluirÉ claro que com o cristianismo e seus Impérios se expandindo esse dualismo chamado de "maniqueísmo" tomou outras proporções. Outra pequena coisa que não concordo é no final quando você coloca que TODOS os povos pagãos crêem que a entidade solar passa o inverno no submundo. Claramente não são todos, talvez sejam alguns ou até a maioria, não fiz essa análise, mas tenho certeza que há muitas excessões para que se possa considerar como TODOS.
Um abraço e muito sucesso pra continuar esse trabalho digno de prêmio que vocês fazem compilando todos os mitos aqui do blog.
Obrigado pelo comentário! Concordo com você no segundo quesito, acho que foi meio exagerado dizer que todos crêem nisso, mas quando escrevi o fiz baseado em outros textos que encontrei por aí, então esse texto expressa também a opinião de outros autores, não exclusivamente a minha. Quanto ao fato da visão dualista do bem e do mal, quis dizer que ela teve início entre os povos eslavos com a chegada do cristianismo. Não quis dizer que surgiu no mundo por meio deles, talvez eu não tenha sido bem claro.
ExcluirFala mais sobre o Yarilo!
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