Nisroch (ou Nisroque) é o deus assírio da agricultura, descrito como uma divindade com cabeça de águia com asas e músculos exagerados. Em uma escultura de Nínive, ele aparece polvilhando a árvore sagrada com água. Ele segura um vaso de água na mão esquerda e uma esponja em sua mão direita. Era para essa divindade que Senaqueribe, rei da Assíria, passou a orar após voltar de sua campanha em Judá. O versículo anterior revela que o Anjo do Senhor havia afugentado o exército assírio.
"Assim Senaqueribe, rei da Assíria , se retirou e voltou, e habitou em Nínive. E sucedeu que , enquanto ele adorava na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer, seus filhos, o feriram à espada. E eles escaparam para a terra Arará. Então, seu filho Esar-Hadom passou a reinar em seu lugar." 2°Reis 19:36-37
O historiadorFlavius Josephusidentificou Nisroch com o deus Dagon. Já outros estudiosos identificaram Nisroch com Nusku, uma divindade mesopotâmica do fogo e da luz, que de acordo com a crença da época auxiliava os guerreiros no campo de batalha, além de ser um mensageiro dos deuses e dispensador da justiça.
Lenda hebraica
No Midrash, o nome Nisroch é dito ser derivado da palavra hebraica neser. Neser era o nome dado a uma tábua de madeira encontrada por Senaqueribe em seu retorno a Assíria, após sua campanha em Judá. Os sábios lhe disseram que esta tábua foi originalmente parte da Arca de Noé , e então Senaqueribe passou a adorá-la como um ídolo. Portanto, pode se concluir que Nisroch era o ídolo que Senaqueribe estava adorando, quando ele foi assassinado por seus dois filhos.
Nisroch na Demonologia
Alguns autores religiosos consideram Nisroch como sendo um anjo caído, que pertenceu a ordem dos Principados e um associado de Belfegor. Os ocultistas Johann Weyer e Collin de Plancy relatam em suas obrasque Nisroch é o "chefe de cozinha" dos príncipes do Inferno.
Vritra (em sânscrito वृत्र, "O Envolvedor" ou "Aquele que envolve") é um dos Asuras da antiga religião védica, talvez o mais poderoso deles. Vritra é imaginado de várias formas: como um dragão, uma serpente ou uma nuvem, e é dito ser tão grande que seu corpo cercava as montanhas, e sua cabeça tocava o céu. Ele é a personificação da seca, e seu principal inimigo é o deus Indra.
Versão Védica
No Rig Veda, Vritra é descrito como um terrível dragão que tomou toda a água do mundo para si e com isso causou uma terrível seca que assolou toda a terra. Vritra era tão poderoso que nenhum deus podia fazer nada contra ele. Essa situação durou por muito tempo, até que Indra nasceu. Indra estava predestinado a se tornar o rei dos deuses, e tomou para si a tarefa de derrotar o dragão e libertar as águas do mundo. Para isso, Indra consumiu uma imensa quantidade de sôma na casa de Tvashtri, que o fez obter a força necessária para enfrentar o dragão, e então partiu para combatê-lo. Indra encontrou e invadiu as noventa e nove fortalezas de Vritra, arrasando uma por uma, e no fim, o encontrou. Os dois travaram uma terrível batalha, e no final, Vritra foi destruído pelo raio de Indra. Indra então liberou as águas, que voltaram a fluir pelo mundo.
Versão Purânica
Nos Puranas, a história muda drasticamente, e Vritra ganha um papel menos onipotente. Havia um brâmane chamado Tvashtri, que tinha um filho chamado Trisiras. Indra temia Trisiras, e esse temor acabou levando Indra a fulminando-o com seu raio. Tvashtri queria se vingar de Indra, e com esse intuito criou Vritra para enfrentá-lo. Vritra desafia Indra, e no fim foi capaz de derrotar e engolir o deus. Os demais deuses ficaram assustados com a perda de seu rei, e então conceberam um plano para libertá-lo. Eles forçaram o demônio a vomitar, e assim que ele o fez, Indra surgiu deu início a uma nova batalha, porém Indra ainda não era páreo para Vritra, e foi obrigado a fugir.
Com a intervenção dos rishis (sábios hindus) e de Vishnu, uma trégua foi estabelecida entre os dois, porém Indra deveria concordar em nunca atacar Vritra novamente com qualquer arma feita de madeira, metal ou pedra, com nada seco ou molhado, ou em qualquer momento durante o dia ou a noite. Indra concordou com os termos, porém ainda desejava derrotar Vritra. Um dia, enquanto estava próximo ao mar, Indra notou o sol se pondo, e no crepúsculo uma enorme onda lavado acima na costa , a pulverização de uma grande coluna de espuma. Naquele exato momento, não era nem dia nem noite. Indra percebeu que a espuma do mar não era de madeira, pedra, ou de metal, muito menos seca ou molhada. Indra apanha a espuma, combina com seus raios e a lança sobre o demônio. Vishnu encarna na espuma e põe fim a vida de Vritra.
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Caim foi o primogênito da união de Adão e Eva, seguido de mais dois irmãos, Abel e Set, sendo assim um dos primeiros humanos nascidos de uma gravidez normal. Acredita-se porem, que a real origem de Caim possa ter sido uma relação sexual que Eva teve com a Serpente (Que possivelmente era uma personificação do demônio Samael), que até então não tinha uma forma reptiliana, mas de um ser “semi-humano”. Desta forma Eva teria deixado o Éden já gravida da Serpente e seu filho seria um ser híbrido, com sangue tanto humano quanto demoníaco.
O nome Caim, em hebraico, קַיִן, significa lança, sendo que a sua transliteração seria Qayin. Este nome também é associado à outra forma verbal, "Qanah", que pode significar "obter" ou "provocar ciúme".
Caim e Abel
Adão e Eva tiveram posteriormente seu segundo filho, Abel. Os dois irmãos cresceram juntos, até Caim ter decidido tomar como sua a função de lavrador. Ele rapidamente obteve um alto status, e tornou-se a elite da sociedade da época, tomando um caminho diferente do seu irmão. Abel haveria tornando-se um simples cuidador de um rebanho, trazendo não mais que a carne para mesa de sua família.
Seguindo a orientação de Adão, Caim e Abel levavam oferendas a Deus periodicamente. Caim levava frutos que cultivava e Abel sempre levava como oferta suas ovelhas de maior valor.
Com muito gosto, Deus aceitava o que Abel lhe trazia, mas o presente de Caim nunca foi aceito de bom grado. O que foi gerando raiva e descontentamento por parte de Caim, afinal ofertava o que tinha de melhor, as melhores frutas geradas pelas melhores sementes, além do suor de todo o trabalho que havia realizado para cultiva-las. Mesmo assim as ofertas de Abel ao longo dos anos eram sempre bem aceitas e as de Caim não.
Assim Caim foi ficando cada vez mais bravo e desiludido com aquilo. E certo dia, possuído por ciúmes, Caim armou uma emboscada para seu irmão. Abel foi chamado por seu irmão até um lugar afastado e quando menos esperava foi atacado por Caim, que o golpeou com uma pedra, até ver o sangue do irmão espalhado pelo chão.
A punição
No dia seguinte, perante a presença de Deus, Caim foi questionado sobre o paradeiro de seu irmão, mas ele respondeu com arrogância dizendo que não era seu cuidador e não sabia onde ele estava. Ele não esperava que naquele momento tudo já houvesse sido descoberto...
Adão o expulsou de suas terras, o exilando em Nod (Terra a leste do Éden) e Deus lhe amaldiçoou a vagar pelo mundo até os fins dos tempos sem nunca se esquecer de seu pecado, e por onde ele passasse a morte o seguiria.
Caim lamentou a severidade da sua punição e mostrou ansiedade quanto à possibilidade de o assassinato de Abel ser vingado um dia, mas ainda assim, não expressou nenhum arrependimento. Então Deus criou um sinal para marcar Caim, “A marca dos Adâmicos”, fazendo com que qualquer um o identifique facilmente, isso impediria que fosse morto, pois quem o matasse seria "castigado sete vezes". Provavelmente a marca é um signo protetor tatuado, queimado ou marcado a cortes na pele, mas nenhum registo diz exatamente o que é e se de fato foi colocado no corpo de Caim.
Nod
Quando partiu para o exilio, Caim levou consigo sua esposa, uma mulher cujo nome e origem são desconhecidos ou no mínimo incertos, porem há duas hipóteses mais prováveis e mais aceitas por teólogos, historiadores e estudiosos de ocultismo:
1ª: Ela seria uma suposta filha não relatada de Adão e Eva, sendo mencionada somente no apócrifo Livro dos Jubileus. Teria nascido antes de Seth e seu nome era Awan ou Avan, casou-se com seu irmão, Caim, antes deste matar Abel;
2ª: Ela seria uma entre os milhares de descendentes de Lilith e Samael, sendo assim uma Lilin e não uma Adâmica.
De uma forma ou de outra, a origem desta mulher tem pouca ou nenhuma importância para os fatos que se seguiram, pois a única coisa realmente importante que ela fez foi gerar o filho de Caim.
Após o nascimento de seu filho, Henoc (Enoque), Caim empenhou-se em construir uma cidade, dando-lhe o nome do seu filho. Eventualmente a linhagem de Seth, irmão de Caim, assim como todas as diferentes linhagens humanas citadas ate agora, acabou indo habitar essa cidade e seus arredores. A cidade de Enoque tonara-se fantasticamente grandiosa nos anos que se seguiram, do mesmo modo, seus lideres, os descendentes do próprio Henoc eram cada vez mais malignos e atrozes a cada nova geração.
A grande destruição ambiental provocada pelo desenvolvimento descontrolado da cidade de Enoque, combinada ao caos social, violência desmedida e cultura profana na qual viviam seus habitantes, acabou disseminando, ou simplesmente despertando a malignidade em toda a raça humana. Tamanha abominação só poderia ser contida por um ato divino igualmente abominável, um genocídio de proporções unicamente mitológicas, O GRANDE DILÚVIO.
Devido ao fato de uma parcial imortalidade ser a parte mais importante da maldição de Caim, supõe-se que ele esteja vivo ate hoje e ele vaga pelo nosso Mundo arrastando a morte por onde quer que passe...
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Astéria (gregoΑστερία, "estrelado") é a deusa grega/titânide ddas estrelas cadentes e talvez das adivinhações noturnas como a oniromancia (por sonhos) e astrologia (por estrelas). Ela é a filha do casal de titãs Febee Céose irmã da titânide Leto. Com Perses, o titã da destruição, ela é a mãe de Hécate, deusa da encruzilhada e portas.
O principal mito envolvendo Astéria relata a criação da ilha de Delos. Astéria era constantemente perseguida por Zeus, mas ao invés de ser mais uma vítima das investidas sexuais do deus, ela se transformou em uma codorna e se atirou ao mar. Depois, ela se transformou em uma ilha, a princípio chamada de Astéria mesmo e depois Ortygia (do grego ortux, que significa "codorna"). Mesmo transformada em ilha, Astéria continuou sendo perseguida, mas desta vez porPoseidon, e ela passou a se mover constantemente pelo mar para escapar dele.
Quando sua irmã Leto, grávida de Apoloe Ártemis, foi perseguida pela ciumenta Hera, Astéria lhe ofereceu-lhe um lugar seguro para dar à luz. Quando Leto desembarcou na ilha, o fundo do mar se levantou e ancorou a ilha no lugar. Apolo renomeou mas tarde a ilha para Delos (que significa "trazer à luz") .
Asteria foi retratada em vasos atenienses ao lado de outros deuses de Delos - Apolo, Artemis e Leto. Ela é freqüentemente rotulada de "Delos". Ela é provavelmente a mesma que Brizo, uma obscura deusa adorada em Delos, conhecida como protetora de marinheiros, e pescadores e que entregava sonhos proféticos.
Yuki-onna(em japonês 雪女 ou ゆきおんな, literalmente "mulher de neve") é um espírito/yokai feminino de neve e gelo pertencente ao folclore japonês. Geralmente vista em áreas remotas à noite, durante tempestades de neve, ela é descrita como uma mulher alta e bonita, com longos cabelos negros e uma pele pálida ou até mesmo translúcida. Alguns contos retratam-a vestindo um quimono branco, enquanto em outros ela aparece nua.
A Yuki-onna flutua pela paisagem de neve, sem deixar pegadas. De fato, em alguns relatos, ela não possui pés, uma característica comum nos fantasmas japoneses. Ela seria o fantasma de uma mulher que congelou até a morte durante uma tempestade de neve, ou talvez um espírito da própria neve.
Apesar de sua beleza, a Yuki-onna é uma entidade mortal, que mata impiedosamente qualquer ser humano desavisado que cruzar o seu caminho. Ela muitas vezes aparece para os viajantes perdidos em tempestades de neve, expirando uma rajada de ar gelado para transformá-los em cadáveres congelados. Em outras ocasiões, ela usa o seu canto para levar os viajantes a se perderem para que morram congelados.
Muitas vezes ela invade casas, derrubando as portas com uma rajada de vento e congela todos os moradores enquanto dormem, porém algumas lendas afirmam que ela precisa ser convidada para poder entrar em uma casa. Em alguns contos onde ela possuí hábitos vampirescos, a Yuki-onna seduz os homens e drena sua energia vital através do sexo ou de um simples beijo.
Apesar da maioria dessas histórias retratarem a Yuki-onna como um ser cruel, existem algumas histórias onde ela acaba se apaixonando por homens, chegando a casar e constituir família. Entretanto, essas histórias sempre terminam com o seu desaparecimento em forma de neblina ou neve.
Em uma lenda popular, ela permitiu que um jovem rapaz chamado Minokichi escapasse, por causa de sua beleza e idade, e o ameaça dizendo que o matará caso ele conte sobre ela a alguém. Um ano depois, Minokichi se casa com uma bela garota chamada O-Yuki e tem muitos filhos com ela ao longo de vários anos. Estranhamente, ela não parecia envelhecer.
Uma noite, depois que as crianças foram para a cama , Minokichi conta à O-Yuki sobre a vez em que ele viu a mulher da neve : “Se estava dormindo ou acordado, eu não sei, no entanto, foi a única vez que vi um ser tão bonito como você. Porém, é claro que ela não era um ser humano, eu senti muito medo dela. Muito medo mesmo. Mas ela era tão branca. Na verdade, eu nunca tive a certeza se aquilo foi um sonho ou se realmente era a Mulher da Neve.”
O-Yuki de repente se levanta e se curva sobre ele, gritando “Fui eu, eu! Eu era a Yuki, eu sou a Yuki! Eu lhe disse que iria matá-lo se dissesse algo sobre isso! Mas, por causa daquelas crianças que estão dormindo, eu não irei matá-lo neste momento. E de agora em diante é melhor você tomar muito, mas muito cuidado com eles, pois se alguma vez, por qualquer motivo ou razão, você maltratá-los, eu irei tratar você como merece!”.Em seguida, ela se dissolveu em um névoa branca e desapareceu, para nunca mais ser vista novamente.
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Shamash (na Acádia)
ou Utu (na mitologia suméria) é o deus do sol, associado com a verdade e a
justiça. Ele era um dos deuses mais ativos nos panteões mesopotâmicos. Shamash é filho dos deuses Sin/Nanna (lua) e
Ningal (cana) e irmão da deusa Ishtar/Inanna. Sua consorte era a deusa Aya
(juventude), e com ela Shamash foi pai de quatro filhos: Giru (fogo), Kittum
(verdade), Mesharum (justiça) , e Nusku (luz).
Como uma divindade solar,Shamash viajava em seu carro pelo céu todos os dias, saindo da grande porta de entrada do Oriente ao amanhecer e entrava na porta de entrada do Ocidente ao anoitecer. Conforme ele viajava através do céu, ele era capaz de ver tudo o que acontecia sob ele, e então julgava as ações da humanidade. Assim Shamash era adorado como o deus da justiça e da sabedoria. Shamash viajava através do submundo durante a noite para fazer o seu caminho de volta para o Portão do Oriente, e durante esta jornada, Shamash também julgava o submundo. Outra ligação de Shamash com a justiça é o Código de Hamurabi, um código de leis que o rei babilônico Hamurabi teria sido inspirado por Shamash a escrever.
Shamash costumava ser representado segurando uma adaga dentada ou serra, simbolizando a justiça incontornável que era exercida por ele, e com raios partindo de seus ombros.Ele também era representado como um disco ou roda, embora às vezes ele aparecia como um rei sentado e segurando um bastão de justiça e um roda da verdade. Na Babilônia, localizada no sul da Mesopotâmia, o símbolo de Shamash era o disco solar, com uma estrela de quatro pontas no seu interior.
Shamash aparece regularmente naEpopéia de Gilgamesh. Enquanto Gilgamesh e Enkidu seguiam em uma missão para matar Humbaba, eles oravam e faziam libações para Shamash todas as manhãs na direção do sol nascente, para que sua viagem fosse segura. Gilgamesh recebe sonhos de Shamash, que Enkidu então interpreta, e em sua batalha contra Humbaba, é o favor de Shamash para Gilgamesh que lhes permite derrotar o monstro. Shamash presenteia Gilgamesh com três armas poderosas que o auxiliam em seus combates.
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Sagari (jap: さがり, "pendurado") é um estranho yokai cuja a lenda teve origem na ilha Kyushu, no Japão, mais precisamente nas prefeituras de Fukuoka e Kumamoto. Ele tem a forma de uma grotesca cabeça de cavalo com um retalho de pele que ele usa para se pendurar nos galhos de uma árvore. Em alguns contos ele usa sua crina para se pendurar aos galhos. Em algumas versões da lenda, ele é dito possuir também um braço humano decepado anexado à sua cabeça.
Um Sagari surge dos espíritos de cavalos que morrem debaixo de uma árvore e seus corpos são deixados ali apodrecendo. As almas dos cavalos às vezes se prendem às árvores à medida que deixam seus corpos. As almas que aderem as árvores não podem passar para o outro mundo e acabam se transformando em yokais.
Sagaris geralmente caem bem na frente do rosto de alguém enquanto passa por baixo de uma árvore. Assim que caem, eles emitem um grito horripilante, assustando sua vítima. Encontros com o Sagari não são fatais para os seres humanos, no entanto, conta-se que aqueles que ouvem os relinchos e gritos de um Sagari são acometidos por uma febre terrível.
Na mitologia nórdica, Kvasir é um deus membro da classe dos Vanir, e referido como um poeta e o "mais sábio dos deuses". A lenda conta que após a guerra Æsir-Vanir, todos os deuses juntaram suas salivas em sinal de paz, e desta junção surgiu Kvasir. Ele era um deus extremamente sábio, e vagava por Asgard ensinando e instruindo os deuses, nunca deixando de dar a resposta certa para uma pergunta. Porém sua vida foi encurtada pela ação de dois irmãos anões, chamados Fjalar e Galar. Os irmãos cobiçavam as propriedades mágicas do corpo de Kvasir, e traçaram um plano para obtê-las. A Morte de Kvasir
Certo dia, enquanto dormia, Kvasir foi apunhalado pelos irmãos Fjalar e Galar. Os dois recolheram o sangue de Kvasir, o misturaram com mel, e o preservaram num caldeirão mágico chamado Odrörir. Após um tempo, a mistura fermentou, criando o Hidromel da Poesia e todos aqueles que bebessem dela se tornariam poetas inspirados.
Algum tempo depois, os dois irmãos assassinaram o gigante Gilling e sua esposa. O filho de Gilling, Suttungr, parte em busca dos algozes de seus pais e consegue capturá-los e prendê-los em um recife coberto pela maré alta, deixando-os lá para que morressem afogados. Os irmãos resolveram entregar o Odrörir contendo todo o hidromel da poesia para Suttung, em troca de suas vidas. Suttungr aceita a oferta, e após obter o Odrörir, o esconde dentro de uma montanha chamada Hnitbjorge ordena a sua filha Gunnlod para vigiá-lo.
O Roubo do Hidromel por Odin
O hidromel da poesia era um bem precioso, e Suttungr se gabava de tê-lo em sua posse, mas tão logo o sábio deus Odin tomou conhecimento da situação, ele partiu para Jotunheim com a intenção de obter o hidromel para si. Disfarçado como um lavrador, Odin passou a trabalhar para o irmão de Suttungr, Baugi, durante todo um verão. Ao terminar o trabalho, Odin pediu para Baugi lhe dar um copo de hidromel. Baugi tenta convencer Suttungr a ceder uma taça mas não obtém sucesso, então ele decide perfurar um pequeno buraco ao lado da montanha, abrindo uma passagem para a câmara onde o hidromel era mantido.
Odin imediatamente transformou-se numa cobra e se esgueirou pelo buraco na câmara onde Gunnlod guardava o hidromel. Retomando a forma de um homem, Odin seduz Gunlod e a convence a lhe dar o hidromel. Durante três noites, Odin bebeu do hidromel, e na terceira noite, ele se transformou em uma águia para poder escapar. Suttungr descobriu o roubo, e também transformando-se em uma águia, foi atrás de Odin. Parte do hidromel escapava da boca de Odin enquanto voava, as vezes propositalmente, a fim de distrair Suttungr que estava em seu encalço. Parte do hidromel caiu sobre a terra, onde atingiu alguns dos seres vivos, tornando-os poetas. Quando Odin avistou seu palácio, deu um grito de alerta, e todos os deuses correram com jarros em suas mãos, permitindo que Odin regurgitasse todo o hidromel dentro deles. Quando Suttungr viu o hidromel ser recolhido pelos deuses, se deu por vencido e retornou para sua montanha. O Hidromel agora pertencia aos deuses.
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