13 de janeiro de 2014

Ninkasi

۞ ADM Sleipnir


Ninkasi era a deusa suméria da cerveja. A lenda conta que ela nasceu da "água fresca cintilante. Sua presença terrena, manifestando-se através de cerveja, foi dita ser capaz de "satisfazer o desejo" e "saciar o coração". A ela foi dado o crédito pela criação das primeiras receitas de cerveja. As relações familiares de Ninkasi são discutíveis. Uma tradição diz que ela é a filha de Ninti e Enki. Outra diz que os pais de Ninkasi são Enlil e Ninkhursag. Siris ou Sirash ou é seu irmão ou seu marido, e ela teve uma quantidade de filhos questionável.

Ninkasi era uma deusa muito popular, e ela fornecia cerveja para os deuses, mas ela era também a personificação da cerveja. Quando os deuses e as pessoas bebiam cerveja, eles estavam consumindo a própria Ninkasi.

A cerveja possuía um significado social e religioso na sociedade suméria. Era fabricada, quase sempre por mulheres, em casa ou em tavernas para o consumo diário. A cerveja era oferecida em jarros gigantes e dedicada aos deuses em cerimônias da igreja. Há ainda esculturas antigas que retratam mulheres sumérias inclinando-se e bebendo cerveja, através de um canudo e, simultaneamente, participando de relações sexuais. Acredita-se que isso tenha alguma relação com as noções de "casamento divino".




Um hino foi escrito em homenagem a Ninkasi em aproximadamente 1800 a.C., embora existisse através da tradição oral muito antes disso. Esse hino dedicado a deusa, contém a mais antiga receita conhecida de cerveja. No ano de 1989, a Cervejaria Anchor produziu uma edição limitada da Cerveja Ninkasi, que foi fabricada utilizando a receita descrita no hino.

Esse hino (que você lerá abaixo) é um dos mais antigos escritos conhecidos a serem documentados e preservados. 

Nascida da água corrente (…)
Delicadamente cuidada por Ninhursag
Nascida da água corrente (…)
Delicadamente cuidada por Ninhursag

Tendo fundado sua cidade pelo lago sagrado,
Ela rematou-a com grandes muralhas por você,
Ninkasi, fundando sua cidade pelo lago sagrado,
Ela rematou-a com grandes muralhas por você.

Seu pai é Enki, Senhor Nidimmud,
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado,
Ninkasi, seu pai é Enki, Senhor Nidimmud,
Sua mãe é Ninti, a rainha do lago sagrado.

Você é a única que maneja a massa,
com uma grande pá,
Misturando em uma cova o bappir com ervas aromáticas doces,
Ninkasi, você é a única que maneja
a massa com uma grande pá,
Misturando em uma cova o bappir com tâmaras ou mel.

Você é a única que assa o bappir
no grande forno,
Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas,
Ninkasi, Você é a única que assa
o bappir no grande forno,
Coloca em ordem as pilhas de sementes descascadas,

Você é a única que rega o malte
jogado pelo chão,
Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos,
Ninkasi, você é a única que rega o malte
jogado pelo chão,
Os cães fidalgos mantém distância, até mesmo os soberanos.

Você é a única que embebe o malte em um cântaro
As ondas surgem, as ondas caem.
Ninkasi, você é a única que embebe
o malte em um cântaro
As ondas surgem, as ondas caem.

Você é a única que estica a pasta
assada em largas esteiras de palha,
A frialdade dominou.
Ninkasi, Você é a única que estica
a pasta assada em largas esteiras de palha,
A frialdade dominou.

Você é a única que segura com ambas as mãos
o magnífico e doce sumo,
Fermentando-o com mel e vinho
(Você, o doce sumo para o eleito)
Ninkasi, (…)
(Você, o doce sumo para o eleito).

O barril filtrador, que faz
um som agradável,
Você ocupa apropriadamente o topo
de um grande barril coletor.
Ninkasi, o barril filtrador,
que faz um som agradável,
Você ocupa apropriadamente o topo
de um grande barril coletor.

Quando você despeja a cerveja filtrada
do barril coletor,
é como os barulhos dos cursos
do Tigris e do Euphrates.
Ninkasi, você é a única que despeja
a cerveja filtrada do barril coletor,
é como os barulhos dos cursos
do Tigris e do Euphrates.

Arte de LeKrowArt


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11 de janeiro de 2014

Hakutaku (Bai Ze)

۞ ADM Sleipnir

Arte de Matthew Meyer

O Hakutaku (em japonês 白澤 ou はくたく, "pântano branco") é um sábio e quimérico yokai, semelhante a um boi branco com o rosto similar ao humano. Ele possui nove olhos e seis chifres no total, sendo 3 olhos e 2 chifres na cabeça, e a mesma quantidade em cada lado do corpo. Ele vive em montanhas remotas, e assim como o Qilin, só aparece em épocas e países onde o governador da terra é um líder sábio e virtuoso. Ele é um símbolo de bons presságios e de boa sorte. Hakutaku pode falar línguas humanas, e é altamente bem informado sobre todas as coisas acerca da criação.

A criatura é uma importação cultural da China, onde ele é conhecido como Bai Ze. Um dos relatos mais famosos sobre o Hakutaku vem do lendário Imperador Amarelo chinês (2697-2597 aC) . O imperador estava realizando um passeio imperial em suas terras, e no leste, perto do mar, ele subiu uma montanha e encontrou um Hakutaku. Os dois conversaram, e a criatura contou ao imperador que, em toda a criação, haviam 11.520 tipos diferentes de yokai. 

Arte de chasmosaur

O imperador mandou seus subordinados registrarem tudo o que o Hakutaku disse, e toda a informação foi preservada em um volume conhecido como o hakutakuzu (ou Bái Zé Tǘ - 白泽图/白泽图) . Este volume registrava cada tipo de yokai, junto com o tipo de males que eles fazem, ou desastres que eles causam, bem como a forma de lidar com eles - uma espécie de manual demoníaco, por assim dizer. Infelizmente o hakutakuzu foi perdido há muito tempo, e não existem exemplares sobreviventes.

Por causa de seu incrível conhecimento sobre vários tipos de yokai e monstros, pinturas dos Hakutaku eram muito populares no Japão durante o período Edo. Elas eram vendidas e usadas ​​como amuletos de boa sorte, assim como guardas contra espíritos malignos, doenças e yokais. Devido ao fato do Hakutaku conhecer tudo, acreditava-se que os yokais iriam ficar longe dele.



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9 de janeiro de 2014

Anfisbena

۞ ADM Sleipnir


A Anfisbena (do grego Αμφισβαινα, Amphisbaina) é um réptil presente nas lendas européias e na heráldica, comumente descrita como uma serpente com uma cabeça em ambas as extremidades. Seu nome deriva de uma palavra grega que significa "ir para os dois lados", e ela o ganhou porque acreditava-se que ela poderia se mover para trás ou para a frente com a mesma facilidade. 

Características

A Anfisbena mitológica é descrita como uma serpente de duas cabeças, uma acima do pescoço e uma no final de sua cauda preênsil, por vezes representada com as garras e as pernas de um pássaro e as asas pontiagudas de um morcego. Em bestiários e manuscritos, representações da anfisbena apresentam suas mandíbulas envolvidas em torno de seu próprio rabo/pescoço, criando um arco que pode rolar ou mover-se como uma roda de carroça. Quando as duas cabeças tentam avançar ao mesmo tempo, a criatura forma um círculo. 




Habitat

Anfisbenas vivem nos desertos, sendo bem comuns em todo o território, e elas ficam à espreita para atacar animais incautos ou viajantes no deserto. 

Anfisbenas são adversários formidáveis​​. Elas podem atingir velocidades espetaculares em qualquer direção e podem mudar de direção com facilidade, para surpreender suas presas ou iludir seus caçadores. No auge de sua velocidade, elas secretam um perigoso e doloroso veneno que mata rapidamente. Ninguém está a salvo de uma Anfisbena, mesmo à noite, porque os seus olhos brilhantes penetram na escuridão. 

Depois de uma Anfisbena depositar seus ovos nas areias quentes, ela os vigia. Enquanto uma de suas cabeças dorme, a outra vigia, com olhos tão brilhantes como o fogo. 

A Anfisbena nas lendas

Nos mitos gregos, o sangue da Górgona Medusa gerou muitas serpentes mortíferas conforme Perseu carregava a cabeça da Górgona sobre o deserto da Líbia. Entre essas serpentes estava a primeira Anfisbena. Quando o exército de Cato marchou através do deserto, anfisbenas se alimentaram dos soldados caídos.

Ela foi citada por poetas, como Nicandro de Cólofon, John Milton, Alexander Pope, Alfred Tennyson, e Alfred Edward Housman, e a Anfisbena como uma criação mitológica e lendária foi citada por Lucano, Caio Plínio Segundo, Isidoro de Sevilha, e Thomas Browne, os últimos dos quais desiludiram a sua existência. 



Medicamentos e outros usos para a Anfisbena
  • Apesar de seu veneno perigoso, capturar uma Anfisbena pode provar o seu valor. Sua pele seca pode curar reumatismo e remediar frieiras, pois reduz o inchaço das mãos e dos pés quando inflamados por causa do frio; 
  • Uma Anfisbena viva é um excelente talismã para qualquer mulher grávida. Na verdade, profetisas e mulheres de prestígio ou de alta patente usavam pulseiras douradas esculpidas na semelhança de um anfisbena, pois era um símbolo de poder e proteção; 
  • No deserto da Líbia existe um réptil chamado Amphisbaena, e apesar de sua natureza, é muito menos fantástica do que as lendas relatam; 
  • Amphisbaena também é o nome científico de um gênero de vermes-lagartos sem pernas capazes de mover-se em ambos os sentidos com caudas camuflados. Quando levanta a sua cauda, fica parecendo que ela possui uma cabeça adicional, e, com essa camuflagem, o lagarto protege seus ovos e ilude os predadores.



fonte: 
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7 de janeiro de 2014

Égide

۞ ADM Sleipnir


Égide (do grego Aegis) era o nome do escudo mágico utilizado por Zeus durante a Titanomaquia, e que lhe conferia um enorme poder defensivo. Algumas lendas costumam representá-lo como um manto de pele de cabra, uma nuvem de tempestade, ou como uma couraça . Mas, apesar de todas as suas muitas formas, a Égide é um dispositivo de proteção formidável para aqueles que a empunham.

O deus grego do fogo e da forja, Hefesto, criou a Égide para Zeus. Outra versão no entanto, afirma que foi o próprio Zeus quem a confeccionou, cobrindo-se com a pele de uma cabra chamada Amaltéia, que o amamentou enquanto era um bebê. O escudo foi enfeitado com borlas de ouro, que eram frequentemente retratadas como quatro serpentes. Além de ser um escudo muito poderoso, ele irradia medo. É finamente polido, tornando possível ver o próprio reflexo ao olhar para ele. Ele também pode transformar aqueles que o vêem em pedra, pelo menos em seu uso inicial. Diz-se quando um deus sacudia a Égide, trovões rompiam o céu , o Monte Etna tornava-se envolto em nuvens, e os mortais se acovardavam.


Zeus frequentemente emprestava seu escudo para sua filha, Atena, e uma famosa lenda envolvendo a Égide tem a participação do herói Perseu. Atena empresta a Égide para Perseu, que utiliza o escudo para derrotar a górgona Medusa. Após o seu triunfo sobre a górgona, Perseu devolve o escudo para Atena, e lhe entrega também a cabeça da Medusa como um presente. Atena fixa a cabeça da Medusa ao escudo, e dessa forma qualquer inimigo que olhasse para o escudo se tornaria pedra.

Durante os tempos do Império Romano, os soldados nomeavam suas couraças como Aegis, a fim de associá-las aos poderes e bênçãos de Júpiter, a contraparte romana de Zeus.



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5 de janeiro de 2014

Fafnir

۞ ADM Sleipnir


De acordo com a mitologia nórdica, Fafnir era um dos filhos do rei anão Hreidmar. Seus irmãos são Otr (Ottar) e Regin. Ele desempenhou um papel importante na Saga dos Volsungos, o épico lendário que fala sobre a origem e declínio do clã Volsung. Nesta saga, Fafnir era um anão que possuía braços fortes e não temia ninguém . Fafnir protegia a casa de seu  pai, que era feita de ouro brilhante e outras pedras preciosas . Ele era o mais agressivo e mais forte dentre os três filhos de Hreidmar. Este traço iria desempenhar um papel vital na história a respeito do tesouro e ganância.

Diz-se que Fafnir, Otr e Regin eram metamorfos. Um dia, Otr transformou-se em uma lontra, e justamente nesse dia Loki estava na caça de uma lontra. Loki acabou matando Otr sem saber quem ele era. Após isso Loki  foi à casa de Hreidmar com Odin e Thor. Hreidmar e seus filhos reconheceram imediatamente a pele de lontra acondicionada em torno de Loki. Eles exigiram vingança pela morte de Otr.

Loki, que é conhecido por ser o mais astuto entre os deuses nórdicos, disse que ele estaria disposto a pagar uma grande quantia em tesouros para expiar seu pecado. Ele disse que não sabia que a lontra era Otr e seria melhor substituir a vida de Otr por um tesouro que está em pé de igualdade com a vida perdida. Todas as partes concordaram com isso, porém Hreidmar e seus filhos fizeram Odin e Thor de reféns, até que Loki retornasse com o prometido tesouro.



Loki então procura Andvari, que era a única pessoa que possuía tanto ouro. Andvari tinha a habilidade de se transformar em salmão e nessa forma acabou sendo capturado por Loki, que o obrigou a entregar o seu tesouro em troca da liberdade. Sem alternativa, Andvari acabou entregando seu tesouro à Loki, mas ele amaldiçoa o anel Andvarinaut. Esse anel foi forjado pessoalmente por Andvari e, portanto, era o seu favorito. Com a maldição sobre ele, quem possuísse o anel teria infelicidade e desgraça. Também estão incluídos no tesouro as espadas Ridil e Hrotti, que são muito valiosas. Temendo por sua própria vida e seus companheiros deuses , Loki não pensou duas vezes em retornar à casa de Hreidmar e entregar-lhe todo o tesouro. Assim que tomou posse do tesouro, Hreidmar libertou Thor e Odin imediatamente.

Fafnir e Regin queriam manter o tesouro para si mesmos, e então mataram seu pai. Fafnir não queria dividir o tesouro com seu irmão, então Fafnir, se transforma em um dragão, exila seu irmão e toma posse de todo o tesouro para si, levando-o para um covil de uma montanha. Na mitologia européia, o dragão é o símbolo para a ganância .




Regin também cobiçava o tesouro tanto quanto o seu irmão, e para consegui-lo, ele enviou seu filho adotivo, Siegfried (Sigurd) para matar Fafnir. Siegfried obteve êxito em sua missão, conseguindo matar Fafnir usando a espada Gram (ou Balmung), perfurando o coração de Fafnir, enquanto o dragão estava indo à um rio onde ele normalmente matava sua sede. Antes de morrer, Fafnir prediz-lhe todas as desgraças que Siegfried enfrentaria por ter se apoderado do tesouro.

Regin, totalmente corrompido pela maldição do tesouro, queria matar Siegfried  também. Regin pediu que Siegfried trouxesse o coração de Fafnir para ele assar. Siegfried estende o coração para que Regin o assasse e acaba queimando o dedo. Ao chupar o dedo queimado, Siegfried  acaba consumindo um pouco do sangue do finado Fafnir, e com isso adquiriu a habilidade de entender a língua dos pássaros. Siegfried foi avisado pelos pássaros sobre os planos de seu pai adotivo, e então Siegfried mata Regin.

O restante da história de Siegfried você pode ver AQUI.



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3 de janeiro de 2014

Lara (Tacita)

۞ ADM Dama Gótica


Lara (também chamada de Lala (do grego falante), Laranda, Larunda ou Tácita) é, na mitologia romana, o nome de uma ninfa, filha do deus do rio Almon e famosa tanto por sua beleza como por sua tagarelice. Seus pais tentaram corrigir este último defeito, pois a tornava incapaz de manter qualquer segredo.

Segundo a lenda, o deus romano do dia, Júpiter, era apaixonado por Juturna, uma ninfa das águas, mas não podia satisfazer seus desejos, pois a ninfa atirava-se no Rio Tibre para esconder-se dele.

Então Júpiter pediu a ajuda de todas as ninfas para que elas impedissem Juturna de se esconder as margens do Tibre. 


Todas as ninfas concederam a solicitação de Júpiter. Porém Lara, que era incapaz de conter sua língua, contou a Juno, esposa de Júpiter, sobre os devaneios do marido.

Em punição por sua indiscrição, Júpiter arrancou a língua da ninfa Lara e ordenou a Mercúrio, o deus mensageiro, que a conduzisse até Averno, a entrada do submundo.


No caminho para Averno, diante de tamanha beleza da ninfa, Mercúrio acabou se apaixonando pela ninfa, que correspondeu a essa paixão entregando-se a ele e tornando-o pai dos deuses gêmeos chamados Lares, que guardavam as cidades e protegiam as encruzilhadas.

Por sua longa estadia no submundo Lara tornou-se involuntariamente uma ninfa do mundo subterrâneo, e, eventualmente, Numa Pompílio (um sabino escolhido como segundo rei de Roma) começou sua adoração como Tacita, a Deusa do Silêncio (Dea Muta), convencido de que em um bom governo de uma nação, esta deusa era tão necessária quanto a eloquência.

Para os antigos romanos, Lara era a deusa do silêncio e da virtude. Ela protegia contra os perigos da inveja e das palavras maliciosas que carregam considerável energia negativa. Os romanos consagravam a essa deusa o dia 20 de fevereiro.



Postagem em homenagem à minha filha com o sr. Sleipnir, Lara Helena, que nasceu hoje *__*


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Baykok

۞ ADM Sleipnir


O Baykok é um espírito maligno originado da mitologia nativo-americana, mais precisamente das tribos Ojibwe e Anishinaabe. Ele aparece como um ser esquelético, coberto por uma camada translúcida de pele ressecada e um rosto de caveira horripilante. Os olhos da criatura são de um vermelho profano, embora algumas lendas afirmem que as órbitas do Baykok são poços negros vazios, sem alma e totalmente malignos. Os gritos de um Baykok também são descritos como sendo estridentes. Não há uma grande diferença entre os Baykoks das lendas Ojibwe e Anishinaabe, exceto que aqueles apresentados pelos contos dos Anishinaabe seriam capazes de voar, e assombrar os céus e florestas da região dos Grandes Lagos.

O Baykok é um caçador impiedoso, que persegue e mata sua presa humana sem um pingo de culpa ou remorso. No entanto, esta criatura macabra nunca ataca mais de uma pessoa por vez, e ataca somente caçadores e guerreiros. O Baykok prefere caçar à noite, movendo-se em silêncio na escuridão da floresta em busca de indivíduos solitários.


Embora o Baykok use uma clava para espancar suas vítimas até a morte, a criatura prefere usar um arco, com o qual ele dispara flechas invisíveis, que são embebidas com um veneno que induz a vítima a um sono profundo e sem sonho. Neste estado (que dura várias horas), a infeliz vítima não pode sentir qualquer dor. 

Após nocautear sua presa, o Baykok desembainha uma pequena faca de prata, e com ela ele abre o abdômen da vítima.  Em seguida, ele coloca a sua mão ossuda dentro da barriga da presa, remove o fígado dela e avidamente se alimenta do órgão. Depois de jantar, o Baykok coloca uma rocha na cavidade vazia, e termina costurando a ferida com um fio mágico capaz de curar todo e qualquer sinal superficial da incisão.

A vítima inocente então acorda na manhã seguinte , no meio da mata , na maioria das vezes sem nenhuma lembrança de seu encontro com o Baykok. Surpreendentemente, o indivíduo muitas vezes  vive por dias ou mesmo semanas, sem quaisquer efeitos colaterais adversos, apesar de ter perdido, sem saber, um órgão vital. Mas logo a vítima torna-se subitamente doente, inevitavelmente definhando e morrendo.

Diz-se que a única maneira de prever um ataque iminente do Baykok é ouvir o estalo e ranger dos ossos da criatura, e ainda sim prever a ameaça não é garantia de sobrevivência. A única maneira plausível para vencer esse espírito maligno seria enfrentá-lo, quebrar seus ossos com algum tipo de objeto contundente e em seguida queimar a pilha de ossos, até que reste somente cinzas. No entanto, o Baykok aparentemente não possui fraquezas, tornando quase impossível de ser destruído. O melhor seria simplesmente  evitar viajar pela floresta sozinho na escuridão.

Arte de Verra Hokkanen


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1 de janeiro de 2014

Negrinho do Pastoreio

۞ ADM Sleipnir

Arte por Eduardo Duval, Frata Soares e André Leão

O Negrinho do Pastoreio é um personagem do folclore brasileiro, sendo bastante famoso e popular na região sul do país. Sua lenda possui origens africanas/cristãs, tendo provavelmente surgido no século XIX. 

De acordo com a versão da lenda contada pelo folclorista João Simões Lopes Neto (1865-1916) em sua obra Contos Gauchescos e Lendas do Sul, o Negrinho do Pastoreio era um pequeno menino, escravo de um estancieiro muito mau e cruel. Esse menino não tinha pai nem mãe, nem mesmo um nome, sendo conhecido apenas como Negrinho, e embora não fosse batizado, dizia-se afilhado de Nossa Senhora. Certo dia, Negrinho participou de uma corrida de cavalos por ordem de seu senhor, que havia ainda apostado muito dinheiro em sua vitória. Porém, ele acabou perdendo a corrida e seu senhor, enfurecido, o puniu severamente açoitando-o. 


No dia seguinte, o estancieiro mandou o Negrinho para o mato, onde deveria ficar por trinta dias pastoreando o gado. Negrinho suportou toda a sorte de infortúnios (frio, fome, animais peçonhentos), mantendo seu pensamento em Nossa Senhora. Para o seu azar, numa noite um grupo de ladrões roubou o gado enquanto ele dormia. Negrinho foi castigado novamente pelo estancieiro, apanhando até quase morrer. Em seguida, foi mandado atrás do gado roubado, o qual ele deveria recuperar a todo custo. Antes de iniciar sua jornada em busca do gado, Negrinho passou na capela de Nossa Senhora e pegou uma vela para ajudá-lo a iluminar seu caminho. Conforme andava pelos campos, pingos de cera caíam pelo chão e se tornavam pontos luminosos que ajudavam Negrinho a enxergar a trilha. Após muito cavalgar, Negrinho encontrou o campo onde o gado roubado foi levado. Antes de retornar a estância, ele resolveu se deitar um pouco e descansar, agradecendo à Nossa Senhora antes de dormir por ter encontrado o gado.


Vendo que Negrinho havia encontrado o gado e que se livraria da punição, o filho do estancieiro, que era tão cruel quanto o pai e havia seguido Negrinho até ali, tratou de espantar o gado para longe. Ao acordar, o pobre escravo se deu conta de que havia perdido o gado novamente, e que seria punido mais uma vez.

Desta vez, porém, o estancieiro surrou o menino até a morte, e não satisfeito, atirou seu corpo sobre um formigueiro para que as formigas dessem conta de devorá-lo (outra versão conta que ele foi amarrado em uma árvore sobre um formigueiro ainda vivo), indo embora quando viu que elas cobriram completamente o seu corpo. 

Durante três dias, o estanceiro foi atormentado por seus sonhos, e ao final do terceiro dia, resolveu retornar ao formigueiro e ver o que aconteceu ao corpo do Negrinho. Para a sua surpresa, ao chegar no local ele viu Negrinho de pé, com sua pele completamente recuperada dos ferimentos causados por ele e pelas formigas, e ao seu lado estavam Nossa Senhora e o gado que ele havia perdido. 


Arrependido, o estancieiro dobrou seus joelhos e pediu perdão por todo mal que havia causado ao Negrinho, que por sua vez montou em um belo cavalo sem sela e partiu pelo campo tocando o gado. A partir de então, Negrinho passou a ser conhecido com o Negrinho do Pastoreio, tornando-se uma espécie de santo. Acredita-se que ao acender uma vela e pedir a sua ajuda, ele ajuda as pessoas a encontrarem algo que perderam.

Atenuações da lenda

A lenda do Negrinho do Pastoreio possui muitas cenas fortes e duras, como muitos contos de fadas europeus. Assim como esses contos, a lenda gaúcha possui algumas adaptações que abordam a história de forma branda e bastante lúdica, em formato de livro infantil ou história em quadrinho. Como por exemplo: Lendas Brasileiras da Turma da Mônica, da Editora Girassol, e Coleção Folclore Mágico, da editora Ciranda Cultural. Nessas adaptações infantis o filho do patrão, uma criança, não abordado como vilão, e as formigas são amigas do Negrinho e não o matam.

No livro “Como Nasceram as Estrelas”, de Clarice Lispector, a história “O Negrinho do Pastoreio”, entre outras lendas, foi abordada. Nessa versão, a história é escrita para o público infanto juvenil, sendo mais branda que a adaptação de Simões Lopes Neto, e mais detalhada que outras adaptações lançadas em formato de história em quadrinho focadas no público infantil.


fontes:
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