16 de setembro de 2012

A Maldição de Tutancâmon

Postagem original por ۞ ADM Berseker

A Maldição de Tutancâmon

A chamada Maldição de Tutancâmon é uma das lendas arqueológicas mais famosas do século XX. Ela se popularizou após a descoberta da tumba do jovem faraó, em 1922, no Vale dos Reis, no Egito. Segundo a tradição popular, aqueles que violassem o repouso do faraó seriam punidos por uma força sobrenatural. Com o passar do tempo, mortes reais de pessoas ligadas direta ou indiretamente à descoberta passaram a ser interpretadas como sinais dessa suposta maldição.

A Tumba de Tutancâmon

Tutancâmon foi um faraó da XVIII dinastia egípcia, durante o período conhecido como Império Novo. Ele subiu ao trono ainda criança e morreu muito jovem, provavelmente com cerca de 18 ou 19 anos. Embora não tenha sido um dos governantes mais poderosos do Egito antigo, tornou-se um dos faraós mais conhecidos do mundo moderno por causa da descoberta de sua tumba quase intacta.

A tumba de Tutancâmon foi encontrada em 1922 por uma equipe dirigida pelo arqueólogo britânico Howard Carter (1874–1939), com financiamento de George Herbert, 5.º Conde de Carnarvon, mais conhecido como Lord Carnarvon. O achado causou enorme impacto porque a maioria das tumbas reais egípcias havia sido saqueada ainda na Antiguidade. No caso de Tutancâmon, a tumba preservava milhares de objetos funerários, incluindo joias, móveis, vasos, armas, carros cerimoniais, santuários, caixões e a célebre máscara funerária de ouro.

Howard Carter e Lord Carnarvon entram na tumba de Tutancâmon
Howard Carter (à esquerda) e Lord Carnarvon entram na câmara funerária dentro da tumba de Tutancâmon em 1922.

O nascimento da maldição

A fama da maldição cresceu principalmente após a morte de Lord Carnarvon, em abril de 1923, poucos meses depois da abertura da tumba. Carnarvon morreu no Cairo em consequência de uma infecção agravada por complicações médicas. A proximidade entre sua morte e a descoberta arqueológica foi suficiente para que jornais da época relacionassem o caso a uma vingança do faraó.

Uma das frases mais conhecidas da lenda afirma que “a morte virá em asas velozes para aquele que perturbar o repouso do faraó”, ou aparece em versões semelhantes. No entanto, não há comprovação segura de que essa inscrição tenha sido encontrada na tumba de Tutancâmon. A frase circulou amplamente na cultura popular, mas é tratada por especialistas como parte da construção moderna da lenda, e não como um dado arqueológico confirmado.

Com o tempo, outras mortes foram associadas à maldição. Algumas envolviam pessoas que participaram da escavação ou visitaram a tumba; outras tinham relação muito mais distante com o caso. Essas listas cresceram à medida que jornais e escritores reuniam episódios trágicos sob uma mesma narrativa sobrenatural. Em muitos casos, porém, as mortes tinham causas conhecidas, ocorreram anos depois ou envolviam pessoas apenas indiretamente ligadas à descoberta.

Maldições egípcias e tradição antiga

Isso não significa que a ideia de maldições fosse inexistente no Egito antigo. Inscrições de ameaça contra profanadores ou inimigos aparecem em alguns contextos funerários e religiosos. Em certos casos, elas tinham a função de proteger tumbas, oferendas ou espaços sagrados contra violações.

No entanto, não se deve imaginar que todas as tumbas egípcias continham maldições, nem que a tumba de Tutancâmon possuía uma advertência desse tipo. A associação direta entre múmias, tesouros proibidos e vingança sobrenatural foi fortalecida principalmente pela literatura, pelo jornalismo sensacionalista e, depois, pelo cinema.

Cultura popular

A Maldição de Tutancâmon influenciou profundamente a forma como o Egito antigo passou a ser representado na cultura popular. A imagem da tumba proibida, do arqueólogo imprudente e da múmia vingativa tornou-se um tema recorrente em filmes, séries, desenhos, quadrinhos, jogos e documentários de mistério.

No cinema, a ideia aparece de forma marcante em produções como A Múmia (The Mummy, 1932), da Universal, que ajudou a consolidar a figura da múmia como monstro clássico do terror. Embora o filme não seja uma adaptação direta da descoberta de Tutancâmon, ele aproveita o fascínio da época pelo Egito antigo, por tumbas ocultas e por antigos sacerdotes despertados após séculos de repouso.

Pôster do filme A Múmia de 1932
Pôster do filme A Múmia (1932), por Karoly Grosz.

Décadas depois, a Hammer Films retomou esse imaginário em A Múmia (The Mummy, 1959), com Christopher Lee e Peter Cushing, reforçando a ligação entre profanação de túmulos, vingança sobrenatural e horror gótico. Já a versão de 1999, estrelada por Brendan Fraser e Rachel Weisz, transformou a múmia amaldiçoada em aventura de fantasia, misturando ação, humor, romance e elementos sobrenaturais.

Além dos filmes de terror e aventura, a maldição também aparece em documentários, especiais televisivos e séries sobre enigmas históricos. Nessas produções, o caso costuma ser apresentado como uma mistura de arqueologia, investigação e mistério, muitas vezes retomando a morte de Lord Carnarvon e as listas de supostas vítimas da tumba.

Cena do filme A Múmia de 1999
A Múmia (1999).

fontes: 
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3 comentários:

  1. Ouvi dizer que poderia ser um fungo letal que se proliferou na tumba do rei pode ter causado as mortes, pois os arqueólogos não só poderiam ter sido expostos ao fungo como podem ter trazido ele para fora da tumba quando tiraram o tesouro, como o fungo seria microscópico, eles poderiam levá-lo até nas roupas. Não se tem certeza se sé isso, foi apenas uma das hipóteses levantadas, mas... Se foi isso mesmo, será que os egípcios deixaram o fungo se proliferar conscientemente? Daí seria certeza que a "maldição" que eles escreveram para parar ladrões de tumbas se tornaria verdade...

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    1. Também ouvi essa teoria, e acho que é a mais provável de ser real.
      É possível que os egípcios nem estivessem cientes da presença do fungo na tumba.
      Do mesmo jeito que uma pessoa de centenas de anos atrás poderia morrer ao entrar em contato com bactérias do nosso mundo atual, o mesmo pode ter acontecido com os pesquisadores, que podem ter se deparado com um fungo que existia no passado que estava isolado dentro da tumba.

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