14 de fevereiro de 2024

Stökkull

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

Stökkull (também Stokkull, Stöckull, Blödkuhvalur, Blökuhvalur, Blodkuhvalur ("baleia de abas"); Bloejuhvalur ("baleia velada"); Springhvalur ("baleia da primavera"); Stökkfiskar ("peixe saltador"); Sprettfiskur ("peixe corredor"); Lettir ("ágil"); Léttur ("leve"); Dettir ("caindo"); Hrosshvalur (Cavalo-Baleia, provavelmente erroneamente) é uma das Illhveli (“baleias do mal”), grupo composto por dez baleias míticas que dizem terem vagado durante os tempos medievais pelas águas que rodeiam a Islândia. Embora não seja a maior nem a mais bem armada das baleias, é notavelmente poderosa para o seu tamanho e é facilmente capaz de afundar navios com facilidade. Na verdade, seu nome é usado de maneira bastante indiscriminada para nomear várias outras baleias monstruosas com comportamento semelhante. O poeta autodidata e suposto feiticeiro islandês Jón lærði Guðmundsson (1574–1658) combinou-a com a Hrosshvalur.

Stökkull significa "saltador" ou "pulador", e esta é uma descrição adequada dos hábitos dessa baleia. Uma Stökkull tem um corpo arredondado, preto acima e branco abaixo, com cerca de 8 a 20 metros de comprimento. Possui um focinho reforçado como um aríete e uma mandíbula inferior suspensa cheia de dentes afiados. Mais notavelmente, possui abas de pele semelhantes a viseiras que cobrem seus olhos.

Arte de fanetare77

Essas abas carnudas valem a Stökkull seu nome alternativo de Blödkuhvalur ("baleia de abas"). Elas impedem a Stökkull de ver à sua frente e, para enxergar, ele precisa saltar para fora da água e olhar por baixo das abas. Algumas histórias afirmam que a Stökkull consegue ver debaixo d'água e fica cega quando salta, mas isso é menos provável. Diz-se que as depredações da Stökkull eram ainda piores no passado, até que São Brandão implorou a Deus para intervir. Deus respondeu fazendo com que as abas de pele crescessem sobre os olhos da Stökkull, prejudicando sua capacidade de praticar o mal.

Cegas ou não, Stökkulls ainda são adversários formidáveis. Elas saltam fora da água, alcançando alturas em que a terra e as montanhas podem ser vistas abaixo deles, cobrindo uma distância de quatro ondas a cada salto. Em perseguição a um navio, uma Stökkull pode saltar uma milha em busca de sua presa. Ele afundará tudo o que vê ao saltar de nariz, pulverizando barcos e quebrando as costas de grandes baleias. Para evitar chamar a atenção de uma Stökkull, não se deve mencionar seu nome, caso contrário, é provável que ela perceba sua presença. Qualquer um de vários eufemismos deve ser usado ao falar sobre ela, e essa é a razão pela qual ela possui muitos nomes.

Se uma Stökkull for avistada ao longe, é necessário distraí-la antes que ela destrua o barco. A maneira mais fácil de fazer isso é jogar uma bóia ou barril vazio na água; A Stökkull se cansará tentando afundar o objeto. Até mesmo um chapéu jogado na água distrairá um Stökkull. Outro método é seguir na direção do sol. Se a Stökkull tentar ver para onde o barco está indo, o brilho do sol a atrapalhará. Finalmente, se tudo mais falhar, é aconselhável usar uma arma de fogo suficientemente forte. 

As lendas sobre Stökkulls provavelmente remontam a histórias exageradas de peixes voadores. Pode ser inspirada em cachalotes, golfinhos-de-Risso e orcas em vários graus. Hoje, o nome Stökkull é usado na Islândia para se referir a vários golfinhos e botos inofensivos.



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9 de fevereiro de 2024

Pare Llop

  ۞ ADM Sleipnir

Arte de J. S. Linares

Pare Llop ("Pai Lobo"), também conhecido como "Encantador de Lobos", é uma figura pertencente ao folclore da Catalunha e do País Valenciano, sendo também conhecido em outras regiões da Espanha, como a Galiza, o País Basco e a Andaluzia. Em algumas dessas regiões, ele é conhecido por outros nomes, como Lobisón, Lobisón de Aralar ou Abate Lobo.

Geralmente descrito como um homem velho, barbudo e coberto por uma pele de lobo, conta-se que o Pare Llop é um homem que adquiriu controle sobre os lobos, os quais o obedecem como seu mestre. De tempos em tempos, ele pede esmola ou abrigo a algum criador de gado; se este atender o seu pedido, ele manterá os lobos afastados do seu rebanho; caso contrário, o Pare Llop ordenará que a matilha ataque o rebanho e cause estragos. Em dias de frio extremo ou tempestades, o Pare Llop pode descer até as aldeias para pedir um pouco de comida. Da mesma forma que lida com os criadores de gado, o Pare Llop decide se os lobos que o acompanham atacarão a aldeia ou não de acordo com a generosidade recebida dos aldeões.

Arte de Marina López

A lenda do Pare Llop tem bastante influência nos municípios de La Pobla de Lillet e Castellar de n'Hug. Inclusive, algumas lendas o situam especificamente na Cova d'Orriols (perto de Castellar de n'Hug). No entanto, o Pai Lobo não é endêmico da região. Existem também outros lobisomens lendários, como os llobaters del Canigó ("lobisomens do Canigó"). Figuras semelhantes ou análogas são o Peeiro dos Lobos galego, o Llobero asturiano e o Pastor de Lobos aragonês. Um distante precedente desse tipo de personagem lendário poderia ser o deus romano Luperco, protetor dos rebanhos e dos pastores.

Arte de Anna Ribot-Urbita

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7 de fevereiro de 2024

Porca do Dente de Ouro

۞ ADM Sleipnir

Arte de Rodrigo Viany (Sleipnir)

A Porca do Dente de Ouro é uma assombração pertencente ao folclore piauiense. Geralmente descrita como uma porca enorme, porém magra e de uma aparência horrenda, ela possui tetas e pelancas que se arrastam pelo chão enquanto caminha,  além de um único, pontudo e brilhante dente de ouro visível do lado de fora de sua boca. Conta-se que ela vaga pela cidade durante a madrugada, perseguindo aqueles que encontra pelo caminho e ferindo-os com o seu dente dourado. Além disso, ela pode ser vista em lugares diferentes e distantes um do outro na mesma noite, em um curto espaço de tempo.

Sua lenda possui várias versões. Uma das mais famosas fala sobre uma jovem que vivia saindo à noite para curtir a vida. Sua mãe não gostava nada disso, e estava sempre brigando com ela e tentando impedi-la de sair, mas sem sucesso. Certo dia, ao tentar segurar a filha pelo braço, recebeu dela uma violenta mordida no rosto, que arrancou-lhe um pedaço da bochecha. Ao perceber o ato insano que havia cometido, a jovem correu para o seu quarto e lá se trancou. 

Dizem que ela ficou trancada por tanto tempo que enlouqueceu e, como castigo pelo que havia feito à mãe, acabou sendo amaldiçoada. Sempre durante a meia-noite, a jovem se transforma numa porca horrenda e enorme, com um protuberante dente de ouro, e nessa forma, deixa seu quarto e vaga pelos arredores da cidade assombrando e atacando aqueles que encontra pela frente. Dizem que sua maldição só terá um fim no dia em que alguém conseguir arrancar o seu dente de ouro.

Arte de Hebert Veras

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5 de fevereiro de 2024

Gozuryu

۞ ADM Sleipnir

Gozuryu no game GetsuFumaDen: Undying Moon

Gozuryu (japonês 五頭龍 ou ごずりゅう, "dragão de cinco cabeças", também chamado de Rei Dragão, Dragão Demônio, Dragão Venenoso, entre outros) é um dragão presente na história da fundação do Santuário Enoshima (Enoshima Benzaiten) localizado na ilha japonesa de Enoshima, na prefeitura de Kanagawa.

De acordo com a história, em tempos remotos, havia na região um lago chamado Fukasawa, e neste lago, habitava um dragão com cinco cabeças envolto em nuvens negras. Durante setecentos anos, este dragão liderou Fujin (deus do vento), Raijin (deus do trovão), Yamagami (deus da montanha), entre outros espíritos malignos, causando desastres como inundações e deslizamentos e aterrorizando as aldeias vizinhas. A sua presença era uma fonte constante de medo para os habitantes.Durante o reinado do Imperador Keikō (entre 71 e 130 E.C.), as ações malignas de Gozuryu atingiram seu auge, fazendo chover fogo e obrigando as pessoas a se refugiarem em cavernas.

Influência política

A influência maléfica de Gozuryu não se restringiu somente a provocar desastres naturais. Conta-se que durante o reinado do Imperador Ankō (entre 453 e 456 E.C.), ele teria manipulado o Ministro En no, e durante o reinado do Imperador Buretsu (entre 498 e 506 E.C.), ele teria manipulado o Ministro Kanamura, induzindo-os a realizarem más ações, perturbando a ordem do mundo. 

Devorador de crianças

Durante esse período, Gozuryu também devorou inúmeras crianças, aumentando o sofrimento das pessoas. O primeiro local a sofrer com os ataques do dragão foi uma região localizada ao sul de Fukasawa, que após terem suas crianças devoradas por ele, foi chamada de Hatsukuizawa ( "o lugar da primeira refeição"). Um rico que habitava a região teve dezesseis filhos devorados pelo dragão. Desolado, ele se mudou, e o local de sua antiga residência passou a ser chamado de Chōja-zuka ("túmulo do homem próspero"). Outros moradores, também perdendo seus filhos, mudaram-se para outras regiões, e o local foi chamado de Kokoshigoe ("o local por onde as cfrianças passaram"). 

A tirania do Dragão de Cinco Cabeças se estendeu a oito províncias vizinhas, forçando as pessoas a oferecerem sacrifícios de crianças para apaziguá-lo.

Benzaiten apazigua o dragão

Durante o governo do Imperador Kinmei (entre 539 e 571 E.C), a deusa Benzaiten desceu dos céus sobre a região, e várias divindades celestiais e dragões levantaram uma grande massa de terra do oceano para servir de sua morada. Essa massa de terra passou a ser conhecida como a ilha de Enoshima.

Cortejado pela beleza e benevolência de Benzaiten, Gozuryu apaixonou-se por ela, e  foi até a ilha para confessar seus sentimentos. Porém, a deusa o rejeitou, recusando-se a aceitar alguém que cometia de violência e assassinato repetidamente. Arrependido, Gozuryu jurou seguir os ensinamentos da deusa, parou de tirar vidas e acumulou virtude e compaixão por um longo período.

Quando o tempo de Gozuryu neste mundo finalmente chegou ao fim, o dragão se deitou perto da vila de Fukasawa (agora localizada na atual Kamakura), e seu corpo se transformou na colina localizada ao lado oposto da ilha de Enoshima. Dizem que se você observar atentamente o formato das colinas entre Kamakura e Enoshima, poderá distinguir a forma do dragão.

Cultura Popular

  • Gozuryu aparece como um boss no game GetsuFumaDen: Undying Moon;
  • A lenda envolvendo Benzaiten e Gozuryu é referenciada no capítulo 342 do mangá Black Clover. 

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2 de fevereiro de 2024

Changfu

۞ ADM Sleipnir

Changfu (chinês 尚鳥) é uma criatura pertencente à mitologia chinesa, que de acordo com o clássico texto chinês Shan Hai Jing (chinês 山海經,"Clássico das Montanhas e Mares") habita uma montanha chamada de "Montanha da Fundação". Ela é dita ser um pássaro que se assemelha a uma galinha, porém é dotada de três cabeças, seis olhos, seis patas e três asas. É dito ainda que aqueles que se alimentam de sua carne não são capazes de dormir. Nada é dito, no entanto, sobre quanto tempo dura esse efeito.

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31 de janeiro de 2024

Alastor

۞ ADM Sleipnir

Arte de Elijuh Jaye

Alastor (grego Αλαστωρ, "espírito vingador") é um nome que, na mitologia grega, refere-se a várias figuras. A principal delas era o espírito personificado (daimon) da rivalidade familiar – a imposição de vingança às gerações mais jovens pelos crimes de seus antepassados. Ele era relacionado às Erínias, as deusas da vingança e retribuição, mas a vingança presidida por Alastor era dirigida contra a família do assassino e não contra o próprio assassino. 


Outras ocorrências do nome

Epiteto de Zeus

Alastor também era um epíteto de Zeus em seu papel como vingador, de acordo com o gramático Hesíquio de Alexandria (vivido por volta do séc V ou VI) e a obra Etymologicum Magnum, cujo autor é desconhecido.

Mortais

Pelo menos três mortais compartilham do mesmo nome. O primeiro foi um príncipe de Pilos e filho do rei Neleu e de Cloris, filha de Anfião. Quando Héracles tomou Pilos, ele matou Alastor e seus irmãos, com exceção de Nestor que se tornaria rei no futuro.  O segundo foi um soldado, também da cidade de Pilos, que lutou sob o comando de Nestor durante a Guerra de Tróia. O terceiro Alastor foi um guerreiro lício que foi companheiro de Sarpedão. Ele lutou na Guerra de Tróia e foi morto durante a batalha pelo herói grego Odisseu.

Cavalo de Hades

Segundo o escritor romano Claudiano (370-440) em sua obra De Raptu Proserpinae ("O Estupro de Prosérpina"), Alastor era o nome de um dos quatro cavalos que puxam a carruagem de Hades (como curiosidade, os outros chamam-se Orfaneu, Nicteu e Eton).

O Rapto de Proserpina, de Christoph Schwartz

Demonologia

O nome Alastor foi posteriormente incorporado à demonologia cristã como um demônio específico. Nesta versão, Alastor também executa a vingança pelos crimes dos pais contra os filhos. Ele também tenta mortais a cometerem assassinatos. De acordo com o Dictionnaire Infernal de Jacques de Plancy, Alastor é o executor de decretos no tribunal de justiça de Lúcifer. Mesmo entre os demônios do inferno, diz-se que ele é excepcionalmente cruel e severo. Em seu Livro da Magia e dos Grandes Pactos (1910), Arthur Edward Waite (1857- 1942) descreve Alastor como o 'Comissário de Obras Públicas do Inferno".

Ilustração de Alastor no Dictionnaire infernal


Cultura Popular

Alastor é frequentemente referido na cultura popular. Nos games, ele aparece nas franquias Devil May Cry (DMC1), Castlevania (Aria of Sorrow e Portrait of Ruin), Viewtiful Joe e Titan Quest.

No anime e mangá Shakugan no Shana, Alastor é o Senhor Carmesim a quem Shana está vinculada. Seu verdadeiro nome é "Chama do Céu" (天壌の劫火 Tenjō no Gōka) e ele é o Deus da Retribuição (天罰神Tenbatsushin), um Deus do Reino Carmesim que governa o julgamento e a condenação. Muito temido, Alastor é o mais forte de todos os Lordes Carmesim.

Em Hazbin Hotel (Amazon), Alastor é conhecido como o Demônio do Rádio, sendo um dos mais poderosos demônios do Inferno.

Arte de Vanessa Romeo

fontes:

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29 de janeiro de 2024

Arquetu

۞ ADM Sleipnir

Arte de Mayte Blazquez

Arquetu é um personagem pertencente a mitologia cantábrica, cuja criação foi atribuída pelo etnólogo e escritor espanhol Adriano García-Lomas (1891 - 1972) ao também escritor espanhol Manuel Llano (1898-1931). Ele é descrito como um ancião de longos cabelos ruivos e usando um hábito branco com manchas roxas. Em sua testa, ele possui uma cruz pintada de verde e rodeada por chaves e cadeados. Pendurado em seu ombro direito, ele traz uma bolsa cor de nuvem e sob seu braço esquerdo ele carrega um pequeno baú de bronze polido com decorações de prata e cheio de ouro.

Escultura do Arquetu na Rota Mitológica do Monte Tejas,  na região cantábrica de Besaya

A passos lentos, o Arquetu viaja pelas montanhas e vales da Cantábria, ajudando as pessoas e aconselhando-as a não desperdiçarem suas riquezas, principalmente em farras e vícios. Ao encontrar alguém que perdeu seus bens por essas causas, ele primeiro o repreende por seu comportamento esbanjador, mas depois fica com pena dele e tira algumas moedas brilhantes do baú e o empresta, para que invista no seu trabalho e o faça dar frutos. Mas se o a pessoa pegar as moedas e gastá-las novamente em seus vícios, o Arquetu a condena a passar o resto de seu dias pedindo esmolas nas estradas.

Arte de Begoña Méndez 


fontes:
  • Monstruos, Duendes Y Seres Fantasticos De La Mitología Cantabra, de Pollux Hernúñez;
  • Entre Anjanas e Duendes - Mitología Tradicional Ibérica, de Mercedes Cano Herrera; 
  • https://grimoriodebestias.blogspot.com/2022/03/arquetu.html
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26 de janeiro de 2024

Bes

۞ ADM Sleipnir

Arte de GAO Yushan

Bes (também conhecido como Bisu ou Aha) é um deus anão pertencente à mitologia egípcia, adorado como um deus da guerra, como um protetor das mulheres grávidas, das crianças e das famílias e ainda associado à sexualidade, ao humor, à música e à dança. 
Embora não tivesse templos nem sacerdotes ordenados em seu nome, ele era um dos deuses mais populares do antigo Egito, sendo frequentemente representado em utensílios domésticos como móveis, espelhos e recipientes ou aplicadores de cosméticos, bem como em varinhas e facas.

Iconografia

Bes era geralmente descrito como um anão gordo e barbudo, com a língua para fora da boca e sacudindo um chocalho. Além disso, suas pernas são arqueadas e sua genitália é totalmente exposta. Ele é sempre representado voltado para a frente, o que na arte egípcia era muito raro. Além dele, só a deusa Hathor era representada dessa forma. Ele geralmente usa uma coroa emplumada e a pele de um leão ou pantera e, ocasionalmente, usa a coroa Atef e é representado como uma divindade alada. Há também uma série de amuletos e representações de Bes que exibem apenas sua cabeça (ainda voltada para a frente), embora a maioria deles date do Terceiro Período Intermediário ou posterior.

Bes era às vezes representado com características felinas ou leoninas e muitas vezes ostenta uma longa cauda, o que levou à especulação de que, em tempos mais antigos, ele não era, na verdade, um anão, mas um leão ou gato erguendo-se nas patas traseiras. Se ele realmente começou como uma divindade felina, isso o ligaria ainda mais a Hathor, que estava muito intimamente associada a Bastet (uma deusa gata) e Sekhmet (uma deusa leoa) e ao "Olho de Rá" (a temível protetora de Rá). Além disso, seu nome pode ser derivado da palavra núbia para gato ("besa") e é escrito usando o determinativo para um mamífero em vez do determinativo de um deus ou homem (a pele da vaca). É igualmente provável que sempre tenha sido visto como um anão com a força e o poder de um gato.


Bes também era ocasionalmente retratado com asas de falcão, com quatro braços, ou usando a coroa hemhem. Em alguns casos, Bes era coroado com um escaravelho ou gato. Estatuetas de Bes em pé sobre dois leões, dois carneiros ou duas esfinges podem evocar o deus-sol surgindo acima do horizonte (Aker). Ainda, representações elaboradas de Bes a partir de textos mágicos mostram uma profusão quase ilimitada de características, como múltiplas cabeças de animais, inúmeras asas, cauda de crocodilo, entre outros.


Papel como protetor e guerreiro

Com o tempo, Bes passou a ser visto como o campeão de tudo que era bom e inimigo de tudo que era mau. Parece que ele era originalmente conhecido como "Aha" ("lutador") porque podia estrangular ursos, leões e cobras com as próprias mãos. Ele é descrito como um demônio, mas não era considerado malévolo. Pelo contrário, ele era um apoiador de Rá, que o protegia de seus inimigos. Como resultado, era um deus da guerra que protegia o faraó e o povo do Egito contra forças do mal. Frequentemente era representado em facas na esperança de que isso estendesse sua proteção ao portador da lâmina. Sua imagem também aparece em inúmeras "varinhas mágicas" e em uma quantidade incrível de amuletos.

Protetor das mulheres, crianças e Deus do Parto

Bes era em particular um protetor das mulheres e crianças e frequentemente era retratado ao lado do jovem Hórus protegendo-o enquanto ele amadurecia. Como resultado, ele também se tornou um deus do parto. Acreditava-se que ele assustava quaisquer espíritos malignos à espreita pela câmara de parto dançando, gritando e sacudindo seu chocalho. Se a mãe estivesse enfrentando um parto difícil, uma estátua de Bes era colocada perto de sua cabeça e sua ajuda era invocada em seu nome.

Bes não só auxiliava no parto como permanecia ao lado da criança após o seu nascimento para protegê-la e entretê-la. Dizia-se que se um bebê ria ou sorria sem motivo, era porque Bes estava fazendo caretas engraçadas. Durante o Império Novo (entre os séc. XVI e XI a.C), ele era uma figura regular entre as ilustrações nas paredes de um mammisi (pequena capela situada ao lado de um templo maior, e associada ao nascimento de determinada divindade).

Arte de One0nlyLarry


Proteção Contra Espíritos Malignos 

Bes também afastava os espíritos malignos que causavam acidentes e provocavam confusão (assim como se acreditava que as gárgulas medievais afastavam os espíritos malignos das igrejas). Muitos antigos egípcios colocavam uma estátua de Bes perto da porta de suas casas para protegê-los de infortúnios. Sua proteção também podia ser invocada tatuando diretamente sua imagem no corpo.

Artistas costumavam fazer tatuagens de Bes por causa de sua associação com a dança e a música. Acredita-se também que prostitutas sagradas egípcias podiam ter uma tatuagem de Bes próxima de sua região púbica com o intuito de prevenir doenças venéreas, mas também é possível que as tatuagens estivessem relacionadas à fertilidade.

A Origem de Bes

Por conta de sua aparência, bem destoante dos demais deuses egípcios, é frequentemente sugerido que Bes não era uma divindade de origem egípcia, mas sim provavelmente semita ou oriunda de alguma outra região da África, sendo integrado ao panteão egípcio durante o Império Médio.

Certamente, Bes era descrito em inscrições como "Vindo da Terra Divina" e era conhecido como o "Senhor de Punt". No entanto, ele também é mencionado em registros encontrados no Alto Egito datando do Império Antigo, sugerindo que ele pode ser egípcio, mas que seu culto não se disseminou até o Império Novo. Atualmente, há evidências insuficientes sobre suas origens para ter certeza de qualquer uma das teorias.


Popularidade e Culto 

Arqueólogos recuperaram inúmeras máscaras e trajes de Bes datados do Império Novo. Acredita-se que esses itens eram usados regularmente e, portanto, podem ter sido de propriedade de artistas profissionais. Neste ponto da história, Bes era frequentemente associado a Taweret (outra divindade que oferecia proteção durante o parto). Na verdade, ele era considerado seu marido até o Período Ptolemaico. Os dois eram tão populares entre o povo comum que amuletos de ambos foram encontrados até mesmo em Akhetaton (a cidade de Aquenáton), apesar da substituição de muitos dos outros deuses pelo deus único Aton.

O culto a Bes atingiu seu auge durante o Período Ptolemaico. Ele aparece em inúmeras representações em templos, milhares de amuletos e talismãs foram feitos à sua imagem, e até mesmo havia oráculos de Bes para permitir que as pessoas se beneficiassem de sua sabedoria. Ele recebeu também uma nova esposa, conhecida como Beset, que era uma versão feminina dele mesmo. Câmaras conhecidas como "Câmaras de Bes" foram construídas com imagens de Bes e uma deusa nua (provavelmente Beset) pintada nas paredes. Acredita-se que essas câmaras eram destinadas a promover a cura, remediar certos problemas de fertilidade ou promover sonhos eróticos. Os romanos também adoravam Bes e o retratavam vestido como um legionário.

Bes também se tornou popular entre os fenícios e no Chipre. Alguns estudiosos tem sugerido que a versão ptolomaica de Bes era na verdade um deus composto feito de dez deuses bastante obscuros: Aha, Amam, Bes, Hayet, Ihty, Mafdjet, Menew, Segeb, Sopdu e Tetenu. No entanto, esta teoria não é amplamente suportada e nenhuma evidência capaz de esclarecer a situação foi recuperada até o momento.

Associações com outros deuses

Bes também foi associado a vários deuses mais poderosos, incluindo Amon, Min, Hórus e Reshep. Ele era mais frequentemente associado a Hórus, "a criança" (Harpócrates). Bes frequentemente aparecia em amuletos e estelas representando o jovem Hórus e em inscrições destinadas a proteger contra picadas de serpentes, etc. (conhecido como "cippi"). Os dois deuses também formavam a divindade composta Horbes, embora Beset (esposa de Bes durante o período ptolomaico) também tenha sido descrita como a mãe de Hórus. Bes também estava intimamente associado a Hathor, que também era descrita como a mãe ou esposa de Hórus. A deusa era conhecida como a "Senhora de Punt" e também era uma deusa do parto, da dança e da música, compartilhando muitos símbolos iconográficos com Bes.


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