17 de março de 2021

Febe

۞ ADM Sleipnir

Arte de Gerard Mirabelli

Febe (grego: Φοιβη, latim Phoebe; "brilhante" ou "profética") é uma titânide da mitologia grega, associada ao intelecto e à profecia. Ela é uma dos doze titãs filhos de Urano e Gaia, e consorte e irmã do titã Céos, com quem teve duas filhas: Astéria (deusa das estrelas, e mãe da deusa Hécate) e Leto (mãe de Apolo e Ártemis). Febe costuma ser erroneamente associada à lua, provavelmente porque sua neta Àrtemis era identificada pelo nome Feba em sua homenagem, assim como seu neto Apolo era chamado de Febo. 

Como todas as suas irmãs, Febe não se envolveu no conflito entre os deuses do Olimpo e os Titãs (a Titanomaquia), e, portanto, poupada de ser aprisionada no Tártaro. Em vez disso, ela se tornou uma profetisa no Oráculo de Delfos. Febe foi a terceira divindade a presidir o oráculo de Delfos, após Gaia e Têmis (uma de suas irmãs). De acordo com a tragédia grega Eumênides, de autoria do dramaturgo Ésquilo, mais tarde passou o rito do oráculo para seu neto Apolo como presente de aniversário.

Arte de chamakoso

fontes:


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15 de março de 2021

Mahuika

۞ ADM Sleipnir

Arte de FooRay

Mahuika (ou Mahu-ika) é a deusa o fogo na mitologia maori. Suas histórias, relações e até o sexo mudam conforme a região, mas de acordo com a versão mais comum, ela é irmã mais nova da deusa da morte Hine-nui-te-po e consorte do deus Auahitūroa, com quem teve cinco filhos chamados Konui, Koroa, Mapere, Manawa e Koiti (chamados coletivamente de Ngā Mānawa).O nome de seus filhos são os mesmos dos cinco dedos da mão humana. 

Mitos

O mito mais conhecido envolvendo Mahuika envolve Maui, famoso herói da mitologia maori, tido em várias histórias como sendo seu neto. Certa noite, depois de comer uma refeição farta, Maui estava deitado ao lado do fogo, olhando para as chamas. Observando-as tremeluzirem e dançarem, ele pensou consigo mesmo: "De onde vem o fogo?" (nesse tempo os homens não sabiam produzir o fogo, apesar de não ficar claro na lenda como eles o obtinham antes). Sendo muito curioso, Maui decidiu descobrir a resposta. No meio da noite, enquanto todos dormiam, Maui foi de aldeia em aldeia e apagou todas as chamas até que não houvesse uma única chama acesa no mundo. Ele então voltou para sua casa e esperou. Na manhã seguinte, houve um alvoroço na aldeia.

"Como podemos cozinhar nosso café da manhã? não há fogo!" - gritou uma mãe preocupada.

"Como vamos nos manter aquecidos à noite?" - gritou outro.

"Não podemos viver sem fogo!" diziam os aldeões uns aos outros.

Todos estavam muito assustados, e recorreram até Taranga, mãe de Maui e líder da aldeia (rangatira), em busca de uma solução. "Alguém terá que ir ver a grande deusa, Mahuika, e pedir-lhe fogo", disse Taranga aos aldeões, mas nenhum deles estava disposto a ir até a deusa, que vivia em uma montanha escaldante. Então Maui, secretamente feliz por seu plano ter funcionado, se ofereceu para ir em busca de Mahuika.

"Tenha muito cuidado!" - disse Taranga. "Embora você seja um descendente de Mahuika, ela não vai gostar de você se você tentar enganá-la."

"Vou encontrar a grande ancestral Mahuika e trazer o fogo de volta ao mundo", assegurou Maui à mãe. Maui caminhou até a montanha escaldante até o fim da terra seguindo as instruções de sua mãe e encontrou uma enorme montanha brilhando em brasa com o calor. Na base da montanha, Maui viu a entrada de uma caverna. Antes de entrar, Maui sussurrou um karakia (oração/encantamento) especial para si mesmo como proteção contra o que estava além. 

Ao entrar na caverna, Mahuika ergueu-se diante dele. Chamas saíam por todos os poros de seu corpo. Seu cabelo também era envolto em chamas, os braços estavam estendidos e no lugar dos olhos, haviam apenas dois buracos negros. Ela cheirou o ar e disse: "Quem é este mortal que se atreve a entrar em minha morada?"

Maui reuniu coragem para falar: "Sou eu, Maui, filho de Taranga."

"Huh!" gritou Mahuika. "Maui, o filho de Taranga?"

"Sim, o último nascido, Māui-tikitiki-a-Taranga."

"Bem, então, Māui-tikitiki-a-Taranga, bem-vindo, bem-vindo à essência da chama, bem-vindo meu neto!"

Mahuika se aproximou de Maui, cheirando profundamente seu perfume. Maui ficou completamente imóvel, embora as chamas da pele de Mahuika fossem insuportavelmente quentes.

"Então ... por que você veio, Māui-tikitiki-a-Taranga?" - Mahuika finalmente perguntou.

Maui disse: "As chamas do mundo foram extintas, vim pedir-lhe fogo." Mahuika ouviu Maui atentamente e então riu. Ela puxou uma unha de um de seus dedos em chamas e deu a ele.

"Leve este fogo como um presente para seu povo. Honre este fogo como você me honra."

Então Maui deixou a morada de Mahuika levando consigo a unha de fogo. Enquanto Maui caminhava ao longo da estrada, ele pensou consigo mesmo: "E se Mahuika não tivesse mais fogo, de onde ela conseguiria seu fogo?". Maui não conseguia conter sua curiosidade. Ele rapidamente jogou a unha em um riacho e voltou para a caverna de Mahuika.

"Eu tropecei e caí", disse Maui. "Posso ter outra unha?"

Mahuika estava de bom humor. Ela não falava com alguém há muito tempo e gostava de Maui. Ela alegremente deu a Maui outra de suas unhas. Mas Maui logo extinguiu essa unha também e voltou para Mahuika com outra desculpa.

"Um peixe respingou em minhas chamas enquanto eu cruzava o rio", disse Maui.

Mahuika forneceu outra de suas unhas, sem suspeitar que estava sendo enganada. Isso continuou durante a maior parte do dia, até que Mahuika usou todas as unhas da mão e já estava usando as dos pés. Quando Maui voltou para pedir outra, Mahuika ficou furiosa. Ela sabia que Maui a estava enganando e jogou uma unha em chamas no chão. Instantaneamente, Maui foi cercado por chamas e expulso da caverna.

Maui se transformou em um falcão e escapou para o céu, mas as chamas queimaram tão alto que chamuscaram a parte inferior de suas asas, tornando-as numa cor vermelho brilhante. Maui mergulhou em direção a um rio, na esperança de evitar as chamas no frescor da água, mas o imenso calor fez a água ferver. A essa altura Maui estava desesperado. Ele pediu ajuda a seu ancestral Tāwhirimātea, e então, uma massa de nuvens se formou e uma torrente de chuva caiu para apagar os muitos incêndios. A montanha de fogo de Mahuika não queimava mais.

Mahuika havia perdido muito de seu poder, mas ainda assim ela não havia desistido. Ela pegou sua última unha e atirou em Maui com raiva. A unha de fogo acabou não atingindo Maui, mas caindo sob cinco árvores - Mahoe, Tōtara, Patete, Pukatea e Kaikōmako. Essas árvores consideraram um grande presente da deusa, e guardaram a chama em si.

Ao voltar para sua aldeia, Maui não trouxe o fogo de volta como os aldeões esperavam. Em vez disso, ele trouxe madeira seca da árvore Kaikōmako e ensinou a eles como esfregar os galhos secos, formando o atrito que acabaria por criar uma chama. Os aldeões ficaram muito felizes por poder cozinhar sua comida mais uma vez e ter o calor de suas fogueiras à noite para confortá-los. Maui satisfez sua curiosidade em descobrir a origem do fogo, embora quase tenha pago com a vida ao fazê-lo. Até hoje, o Kahu, o falcão nativo de Aotearoa, ainda mantém as penas vermelhas chamuscadas na parte inferior de suas asas, um lembrete de como Maui esteve perto da morte.

Uma variação do mito estabelece relação entre os filhos de Mahuika e seus dedos. Cada vez que Maui volta até ela e lhe pede uma nova unha, Mahuika na verdade está cedendo um de seus próprios filhos. Outra variação conta que Maui mata Mahuika e depois coloca fogo nas árvores citadas acima. Desde então a madeira dessas árvores tem sido usada para obter fogo por fricção.

Mahuika também teria desempenhado um papel na formação da Ilha Rangitoto, pedindo a Ruaumoko, deus dos terremotos e erupções, que destruísse um casal que a amaldiçoou.

Em algumas partes da Nova Zelândia e também da Polinésia tropical (como o arquipélago Tuamotu e o arquipélago das Marquesas), Mahuika é vista nos mitos como uma divindade masculina. Em outras partes ainda, conhecem-se outros deuses com nomes e funções semelhantes como Mafui'e, Mafuike, Mahui'e Mahuike. Na maioria dos mitos Maui enfrenta esses deuses para obter o fogo para a humanidade.

Arte de nuuzart

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12 de março de 2021

Pyrausta

۞ ADM Sleipnir

Pyrausta (também Pyrallis) é um inseto descrito pelo historiador e naturalista Plínio, O Velho, em sua obra História Natural (livro 11, cap. 42) como nativo das fornalhas de fundição de cobre do Chipre. Este inseto, descrito por Plínio como semelhante a uma grande mosca com quatro patas e asas, podia ser visto voando em meio ao fogo das fornalhas. Plínio acreditava que o Pyrausta nascia do próprio fogo e dependia dele para viver, morrendo de forma imediata caso voasse para longe do mesmo.


Existem inúmeras fontes e artes que descrevem o Pyrausta como sendo uma espécie de dragão ou possuindo características dos mesmos, porém essas informações são equivocadas. Na verdade, esse equívoco parece ter se originado de um livro chamado Inventorum Natura, de Una Woodroffe e publicado em 1979, e que apresenta um suposto manuscrito escrito por Plínio e que traz essas informações. Porém, de acordo com estudiosos sobre o assunto, o manuscrito é totalmente fictício.

Um Pyrausta descrito pot Una Woodroffe em sua obra Inventorum Natura (© Una Woodroffe/Paper Tiger)

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10 de março de 2021

Vassago

۞ ADM Sleipnir

Arte de Michael Sugianto

Vassago é, de acordo com a demonologia um poderoso príncipe infernal e comandante de vinte e seis legiões de demônios. De acordo com a Goetia, ele é o 3º dentre os 72 espíritos de Salomão. Ele é conjurado geralmente em rituais de adivinhação, sendo capaz de discernir passado, presente e futuro, além de ser capaz de encontrar coisas escondidas ou perdidas, caso seja do desejo de seu conjurador. É dito que Vassago possui uma natureza bondosa e bem humorada. 

Selo de Vassago

Sobre sua aparência, Vassago é um dos poucos espíritos goetianos ao qual as obras que discorrem sobre o assunto fornecem informações vagas, resumindo-se apenas em descrevê-lo como "semelhante a Agares" (um homem montado em um crocodilo e carregando uma ave no punho esquerdo). Segundo o relato de um magista que o teria invocado, Vassago apareceu como "um dragão rubro como sangue, com mais de 9 metros de comprimento." A criatura observada por esse magista caracterizava-a como sendo quadrúpede, tendo grandes asas vermelhas, olhos verdes e presas brancas.



Cultura Popular
  • Vassago aparece como inimigo na franquia de jogos Final Fantasy (III, XI online e XIV). Ele também aparece nos jogos da franquia Castlevania: Lament of Innocence e Curse of Darkness como um inimigo menor, que se assemelha a uma criatura fantasmagórica flutuante armada com machados. 
  • Um monstro chamado Vassago aparece em Tales of Destiny 2 como o segundo chefe;
  • No romance Esconderijo, de Dean Koontz, o principal antagonista é um serial killer que voltou do Inferno e usa o nome Vassago em vez de seu nome verdadeiro;
  • No cardgame Yu-Gi-Oh!, há uma carta de monstro baseada em Vassago, chamada Versago, o Destruidor;
  • No mangá e anime Magi: The Labyrinth of Magic, Vassago é o djinn de Armakan Amun Ra;
  • Em Sword Art Online, um antagonista secundário se chama Vassago Casals;
  • Nos quadrinhos, Vassago é o nome um unicórnio demoníaco, corcel da personagem Lady Death.
Lady Death e seu corcel Vassago


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8 de março de 2021

Kadlu

۞ ADM Sleipnir

Kadlu é na mitologia inuíte uma de três deusas irmãs, que juntas são responsáveis por criar e controlar tempestades. Kadlu cria o som dos trovões saltando sobre o gelo oco dos icebergs. Sua irmã Kwitu/Kweetoo cria raios esfregando pedras umas nas outras. A terceira irmã, Ignirtoq  urina com tanta profusão que a mesma precipita sob a terra na forma de chuva. As três irmãs costumam geralmente ser referidas coletivamente como Kadlu.

De acordo com uma lenda, quando pequenas as irmãs brincavam fazendo tanto barulho que incomodaram seus pais. Cansados de tanto barulho, eles pediram a elas para irem brincar fora de casa (ou as expulsaram, conforme outra versão). Nessa ocasião elas inventaram uma nova brincadeira, brincadeira essa que se tornou o meio pelo qual elas controlam o clima. 

Segundo uma versão da lenda, elas foram viver no mar ao lado da deusa Sedna, iniciando tempestades sob seu comando. Conforme outra versão, as irmãs foram transportadas para o céu, onde viviam em uma casa feita com ossos de baleia. Para comer, elas caçam caribus, derrubando-os com raios.

Em algumas áreas, dizia-se que as mulheres eram capazes de evitar tempestades ou mesmo criá-las, deixando oferendas para as deusas irmãs, tais como agulhas, pedaços de marfim e velhos pedaços de pele de foca.

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5 de março de 2021

Khonsu

۞ ADM Sleipnir


Khonsu (Khonshu, ChonsuKhonsChonsKhensu) era um deus egípcio da lua e do conhecimento, também associado à cura e a passagem do tempo. Seu centro de culto era localizado em Tebas, onde ele fazia parte de uma tríade com seus pais, Amon e MutKhonsu também foi um dos companheiros do deus Thoth (que também foi associado com a lua e a medição do tempo). Os egípcios acreditavam que Khonsu poderia influenciar a fertilidade dos homens e de seu gado e um mito (gravado nas paredes do templo ptolomaico de Khonsu em Karnak) lhe dá um papel de destaque na criação do universo.

Khonsu também foi reverenciado como um deus da cura, como está registrado na história da "Princesa de Bekheten". Dizia-se que ele curou pessoalmente o faraó Ptolomeu IV (que recebeu o epíteto de "amado de Khonsu que protege o rei e afasta os maus espíritos" em agradecimento pela ajuda dos deuses) e acreditava-se que ele estendia sua proteção para as pessoas comuns. Como resultado, muitos egípcios receberam seu nome. 
No entanto, Khonsu também tinha um lado mais sombrio. Durante a primeira parte da história egípcia, Khonsu parece ter sido considerado um deus violento e perigoso. Ele aparece no "Hino Canibal" (parte dos Textos das Pirâmides) como uma divindade sedenta por sangue que ajuda o rei falecido a apanhar e comer os outros deuses e os "Textos dos Sarcófagos" descrevem-lo como "Khonsu que devora os corações". No entanto, durante o Novo Reinado ele foi adorado principalmente como o filho gentil e compassivo de Ámon e Mut.


Nomes e Associações

Existem controvérsias sobre o significado do nome de Khonsu. Alguns estudiosos têm sugerido que ele representava a placenta real (transliterado como h-nisw), mas atualmente é considerado que é derivado da palavra "khenes" (hns) que significa "atravessar" ou "viajar" (referindo-se a sua jornada pelo céu). No entanto, Khonshu também era conhecido por nomes mais específicos; "Khonsu-en-Tebas-Neferhotep" (em Tebas) foi descrito como o "Senhor de Ma'at", um epíteto que ele compartilhava como o deus Ptah

Em noites de lua nova, ele era conhecido como o "poderoso touro" e durante noites de lua cheia, ele foi associado com um touro castrado. Khonsu não governava apenas o mês, mas ele também supostamente possuía poder absoluto sobre os espíritos malignos que infestavam a terra, o ar, o mar e o céu, e que eram hostis aos homens, atacando seu corpo sob a forma de doenças e dores, e provocando decadência, loucura e morte. Ele era, além disso, quem fazia as plantas crescerem, frutos amadurecerem, animais se reproduzirem. Para homens e mulheres, ele ainda era o deus do amor.

Como Khensu-pa-khart ("Khonsu, o Bebê"), Khonsu era considerado a personificação da luz da lua crescente. Acreditava-se que ele ajudava as mulheres a engravidarem e o gado a reproduzir com sucesso. Este aspecto do deus também tem uma associação com o ar fresco, e, portanto, com o deus Shu. Khonsu pa-khered ("Khonsu, a Criança") foi descrito como o "primeiro grande filho de Ámon", o filho da deusa Nut, e um aspecto do deus Ra. Como Ra-Horakhty, Khonsu era considerado uma criança pela manhã e um velho à noite. 

Ele também foi caracterizado como, um jovem no início do ano, que aparece quando criança depois de se tornar doente e que renova seus nascimentos com o disco lunar.Assim, Khensu-pa-khart era o sol e a lua da primavera, e também a lua no início de cada mês, de fato, o símbolo da luz renovada do sol e da lua e a fonte de criação e reprodução. Nestes aspectos ele pode ser  ligado a Hórus, Ra, ou Min. Ele também era conhecido como "Khonsu pa-ir-sekher" ("Khonsu, o provedor" - Quespisiquis para os gregos) e "Khonsu heseb-ahau" ("Khonsu, decisor do tempo de vida").


O Grande Templo de Khonsu foi construído nos arredores do templo de Karnak. Sua construção foi iniciada por Ramsés III, no Novo Império, mas foi expandido por uma série de governantes posteriores. Dentro dele, haviam três templos dedicados a aspectos específicos do deus; "O Templo de Khonsu", "O Templo de Khonsu em Tebas, Nefer-hetep" e "O Templo de Khonsu, que trabalha seus planos em Tebas". Outras formas do deus provavelmente eram adoradas na parte principal do templo como aspectos do deus da lua. 

Khonsu também foi associado com uma série de outros deuses. Em Khumnu (Hermópolis), ele foi chamado de "Khonsu-Djehuti", e associado à Thoth. Já em Tebas, Khonsu foi associado com Ra, Shu, Min e Hórus. Durante o período posterior, Osíris e Khonsu eram conhecidos como "os dois touros" e representavam o sol e a lua, respectivamente.

Embora firmemente associado com Ámon e Mut em Tebas, em Kom Ombo Khonsu era considerado o filho de Sobek e Hathor (novamente ligando-o a Hórus) e, em Edfu, ele foi considerado  filho de Osíris e conhecido como "o filho da perna "(a perna sendo a parte do corpo do rei morto, que acreditava-se ter sido encontrada naquele nomo).


Iconografia

Khonsu é geralmente descrito como um jovem homem mumificado. Em seu papel como o jovem filho de Ámon, ele geralmente usa uma trança de cabelo (representando a juventude) e a barba curva dos deuses. Ele frequentemente usa como cocar um disco lunar completo sob uma lua crescente, e carrega um cajado e um mangual em suas mãos (ligando-o ao faraó e a Osíris). Ocasionalmente, ele empunha um bastão coberto pelo símbolo Was (representado poder, força e domínio) ou pelo símbolo Djed (representando a estabilidade). Ele geralmente usa um colar solto com um peitoral em forma de meia-lua e um contrapeso na forma de uma fechadura invertida. Em seu aspecto mumiforme, ele se parece tanto com o deus Ptah que a única maneira de diferenciá-los é verificar seu colar, já que o contrapeso usado por Ptah tem uma forma diferente.


Khonsu também costuma ser retratado como um homem com cabeça de falcão, mas ao contrário de Hórus ou Ra, seu cocar é coberto por um símbolo lunar ao invés do símbolo solar. Assim como Thoth, Khonsu também foi associado com o babuíno, mas raramente era retratado nesta forma. 

Durante a Época Baixa do Egito, ele era descrito em placas em forma completamente humana ou com uma cabeça de falcão, juntamente com seus pais Ámon e Mut. Ele também podia ser representado de pé sob as costas de um crocodilo, como Hórus também o era. Como "Khensu, o Cronográfo" ele era representado com um disco solar na cabeça e segurando uma caneta na mão direita. Khonsu ainda era tido como um grande amante de jogos, em especial um jogo de tabuleiros chamado Senet, com o qual era freqüentemente representado jogando uma partida contra Thoth.


Cultura Popular

Na Marvel, o herói Cavaleiro da Lua é o avatar de Khonsu, que concede a ele habilidades sobrenaturais para lutar contra o mal em seu nome, mas também lentamente o deixa louco. Na trilogia de filmes Uma Noite no Museu, a Tábua de Ahkmenrah, que dá a objetos inanimados a capacidade de ganhar vida à noite, é alimentada por Khonsu. A tábua precisava ser banhada pela luz da lua para ter seus poderes recarregados. Khonsu figura ainda na trilogia de livros As Crônicas dos Kane, de Rick Riodan, baseada na mitologia egípcia.


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3 de março de 2021

An (Anu)

۞ ADM Sleipnir


An (sumério para "céu", conhecido como Anu em acadiano; também identificado com o deus caananita El) é o deus supremo do céu na mitologia suméria, posteriormente incorporado às religiões da Assíria e da Babilônia. Seus pais eram os deuses Ansar ("luz") e Kisar ("horizonte), netos dos deuses Apsu Tiamat. Sua consorte é a deusa da terra Antu (também conhecida como Ki ou Uras). Ao lado de seus filhos Enlil Enki/Ea, An formava uma tríade que governava os céus, a terra e o submundo (em uma versão dos mitos) ou o céu, o ar e a terra (em outra versão).

An freqüentemente recebe o epíteto de "pai dos deuses", e muitas divindades são descritas como seus filhos em um contexto ou outro. Inscrições encontradas em seu templo em Lagash nomeiam An/Anu como o pai de GatumdugBaba Ningirsu. Em textos literários posteriores, Adad, Enki/Ea, Enlil, Gibil, Nanna/Sin, Nergal Sara também aparecem como seus filhos, enquanto deusas referidas como suas filhas incluem Inana/Isthar, Nanaya, Nidaba, Ninisinna, Ninkarrak, Ninmug, Ninnibru, Ninsumun, Nungal e Nusku

An não possuía uma forma física, sendo geralmente representado na iconografia simplesmente como uma coroa solitária ou sobre um trono, simbolizando seu status como Rei dos Deuses, uma honra e responsabilidade posteriormente conferidas a Enlil, Marduk (filho de Enki) e Ashur (deus dos assírios), todos os quais se acreditava terem sido elevados por An e abençoados por ele. Embora An não possua destaque em muitos mitos, ele é frequentemente mencionado como uma figura de fundo. Isso ocorria porque, à medida que a veneração ao deus progredia, ele se tornava cada vez mais remoto. Ainda que raramente seja um personagem principal em um mito, quando An aparece, ele desempenha um papel importante, mesmo quando esse papel parece menor.

Arte de Alba Aragón


Anu no Enuma Elish

O épico babilônico da criação Enuma Elish (aprox. 1100 a.C.) é a história do nascimento dos deuses e da formação do mundo e dos seres humanos. A princípio, haviam apenas as águas turbulentas do caos que se dividiam em um princípio masculino (Apsu, simbolizado pela água doce) e um princípio feminino (Tiamat, simbolizada pelas águas salgadas). Esses dois deram à luz Lahmu e Lahamu, divindades protetoras, e Ansar e Kisar, que geraram os deuses mais jovens. Esses jovens deuses tinham pouco para fazer e, portanto, divertiam-se de várias maneiras que irritavam Apsu; ele não conseguia dormir à noite devido ao barulho que faziam, e eles o distraiam durante o dia. Após conversar com seu vizir (conselheiro), Apsu decide que ele deveria matá-los.

Tiamat ouve a conversa do marido e avisa o filho (ou neto) Enki sobre o perigo. Depois de considerar suas opções cuidadosamente, Enki coloca Apsu em um sono profundo e o mata. Tiamat fica horrorizada e repudia os deuses mais jovens, reunindo rapidamente um exército de demônios e monstros para destruí-los. Os dois exércitos se chocam, travando sucessivas batalhas nas quais os deuses mais jovens são derrotados e recuam, vez após vez. An é enviado para falar com Tiamat e tentar resolver o problema diplomaticamente.

Os deuses pareciam ter total confiança na capacidade de An, mas ao encarar Tiamat, acabou sendo intimidado por ela e voltou até os outros deuses para relatar o fracasso de sua missão. O fracasso de An, no entanto, contribuiu para a vitória final dos deuses mais jovens. Os deuses estavam confiantes no sucesso de An e, quando sua esperança foi frustrada, eles perceberam que precisavam mudar de atitude; eles não poderiam mais manter o velho paradigma de como acreditavam que o mundo devia funcionar e deviam aceitar a mudança e encontrar uma nova maneira de atingir seu objetivo. 

É nesse ponto que Marduk, filho de Enki, dá um passo à frente para se oferecer como o campeão dos jovens deuses, em troca deles o elegerem seu rei. Marduk derrota Kingu, o campeão e o novo consorte de Tiamat, além de derrotar e matar a própria Tiamat, mas ele não teria sido escolhido se An não tivesse falhado na diplomacia. An, então, inaugura a mudança na percepção que permite a vitória final dos deuses. Uma vez que a paz foi estabelecida, Marduk e seu pai iniciaram os trabalhos da criação e o mundo e os seres humanos foram estabelecidos. 

Marduk derrotando Tiamat


Anu no Mito de Adapa

O mito de Adapa (datado do séc.14 a.C.) narra a história do primeiro homem criado por Enki e dotado da sabedoria do deus. Enki amava Adapa como um filho e lhe deu todos os dons possíveis, com exceção do dom da imortalidade, pois com isso Adapa se tornaria um deus. Adapa tinha sabedoria, mas essa sabedoria o informa que um dia ele iria morrer e ele não havia nada que ele pudesse fazer a respeito. 

Adapa se contenta em servir como rei da cidade sagrada de Eridu e como sumo sacerdote no templo de Enki na mesma. Todos os dias, Adapa comparecia aos ritos religiosos. Ele assava pão e colocava mesas votivas apresentadas como ofertas aos deuses. Adapa também era pescador, e saia todos os dias em seu barco com o objetivo de capturar peixes e ofertá-los no templo.

Certo dia, quando Adapa estava pescando em seu barco, o Vento Sul desceu sobre ele e o soprou em direção à costa, quebrando seu barco em pedaços e jogando-o no mar. Enfurecido, Adapa ataca e "quebra as asas do Vento Sul"  e por sete dias, o Vento Sul ficou impossibilitado de soprar nos campos.


Notícias sobre o ocorrido logo chegaram a An, que convoca Adapa para se explicar. Não haviam indícios de que An queria punir Adapa, mas Enki, parecendo temer a ira de An, dá ao filho instruções explícitas sobre como se comportar quando chegar aos céus.

Enki diz a ele como cumprimentar os guardiões dos portões do céu, Tammuz e Gishida, o que dizer a eles, e alerta Adapa para que este não coma ou beba qualquer coisa oferecida. Enki lhe diz que An está zangado, e que lhe oferecerá a comida e a água da morte junto com o óleo para unção e uma túnica nova; o óleo e o manto devem ser aceitos, mas não a comida e a bebida.

Quando Adapa chegou nos portões, ele cumprimentou Tammuz e Gishida conforme as instruções de Enki, e os dois ficaram impressionados com ele e o recomendam a An. Como o primeiro conselho de Enki obviamente se mostrou útil, Adapa seguiu o restante. An ouve a explicação de Adapa sobre sua briga com o vento sul e ordena que o alimento da vida e a água da vida sejam trazidos para que Adapa se torne imortal. An fez isso porque ficou impressionado com a sabedoria e a honestidade de Adapa e não conseguia entender por que Enki havia criado um ser assim e não desejava que ele vivesse para sempre. Quando Adapa recusa a comida e a bebida, An fica confuso e lhe pergunta por que ele se comportou dessa forma. Infelizmente, o segundo tablete contento a história está danificado no final e o terceiro tablete está quebrado, porém de acordo com os estudos feitos, ao que parece Adapa conta a Anu os conselhos que Enki havia lhe dado e An, com muita raiva, castiga Enki.

Parece claro que Enki sabia que An ofereceria a vida eterna a Adapa e o enganou de propósito para impedi-lo de obtê-la. Embora o texto esteja danificado no segundo tablete, há evidências de que essa oferta só podia ser feita uma vez e, como Adapa a recusou, ele não teria uma segunda chance. A história é semelhante à história bíblica da queda do homem em Gênesis. Embora não seja expresso diretamente no mito, o raciocínio de Enki parece semelhante ao de Yahweh, onde, após Adão e Eva serem amaldiçoados por terem comido o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, Yahweh os expulsa antes que eles também pudessem comer do fruto da Árvore da Vida:
Eis que o homem se tornou como um de nós, para conhecer o bem e o mal; e agora, para que ele não estenda a mão e tome também a árvore da vida, coma, e viva para sempre; Portanto, o Senhor Deus o enviou do jardim do Éden. (Gênesis 3: 22-23)
Enki entende que os seres humanos não poderiam ser como os deuses porque isso perturbaria a ordem natural. Adapa deveria permanecer mortal, deveria permanecer em seu lugar, para que a criação funcionasse como deveria.  Ao oferecer a imortalidade a Adapa, An estava perturbando a ordem natural, mas ele havia feito a oferta por causa de sua compaixão; An sentia que era um desperdício Enki ter tornado Adapa sábio o suficiente para reconhecer sua mortalidade, mas incapaz de fazer qualquer coisa para escapar da morte. Essa compaixão e compreensão são características de An, como foi visto no Enuma Elish quando ele tenta trazer a paz por meio de negociações diplomáticas, em vez da guerra contínua.


Na Epopéia de Gilgamesh

Na Epopéia de Gilgamesh, os deuses recorrem a An buscando criar um rival humano que se igualasse a Gilgamesh em força e pudesse por um fim a suas loucuras. Segundo uma versão do mito, An os autoriza a criar o selvagem Enkidu, para ensinar Gilgamesh que seu poder não é ilimitado e, finalmente, mostrar-lhe sua própria mortalidade. Em outra versão do mito, o próprio An é quem cria Enkidu.

Mais tarde, Gilgamesh recusava-se a ceder às investidas da deusa Inanna/Ishtar, que desejava tê-lo como seu consorte. Profundamente insultada, Inanna/Ishtar retorna aos céus e clama a An, para que ele enviasse Gugalanna, o "Touro do Céu", para matar Gilgamesh e também destruir a cidade de Uruk. An atende o seu pedido, e Gugalanna é enviado à Uruk, onde acaba sendo derrotado pelo herói.

Mitologia Hurrita

Na mitologia hurrita, An/Anu foi o progenitor de todos os deuses. Um de seus filhos, Kumarbi, destituiu An de seu posto, e enquanto An fugia dele, teve seus genitais mordidos. O ato fez com que três divindades nascessem, dentre as quais Teshub, mais tarde destituiria o próprio Kumarbi. Essa história é bastante semelhante a de Urano, Cronos e Zeus na mitologia grega.

Arte de Douglas Deri

O Deus Altíssimo

A benevolência de Anu impregnava os outros deuses conforme ele próprio se retirava cada vez mais alto para os céus. Ele era visto como o mestre criador por trás de todos os trabalhos do universo, mas se distanciava da humanidade e dos outros deuses. A única divindade que tinha acesso a ele era seu filho Enlil, que gradualmente assumiu as características e o poder de seu pai. Mesmo após Enlil ter se tornado mais popular, An continuou a ser venerado em todo o país. Na cidade de Uruk, onde Inanna era a divindade padroeira, An foi homenageado com um grande templo que operou entre 2000 a.C. e 150 a.C. e serviu como um observatório astronômico e uma biblioteca. 

Mesmo tendo sido cultuado cada vez menos diretamente, An ainda era considerado aquele por trás do poder dos deuses. Ofertas continuaram sendo levadas ao seu templo em Uruk por muito tempo, mesmo ele não estando mais associado à vida cotidiana do povo.

Quando o Império Assírio caiu em 612 a.C., muitos dos deuses mesopotâmicos associados ao seu domínio foram abandonados. Os assírios tomaram características de muitos deuses diferentes para os seus próprios (o melhor exemplo disso é seu grande deus Ashur), e aqueles que haviam sofrido nas mãos do governo assírio descontaram sua frustração e vingança nas cidades, templos e nas estátuas dos deuses. Entretanto, alguns deuses continuaram a ser reconhecidos, e Anu estava entre eles. A adoração de Anu continuou no período helenístico da história da Mesopotâmia  e, através de sua associação com Marduk, até c. 141 a.C., quando o Império Parto controlava a região.

Arte de Brolken


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1 de março de 2021

Ek Chapat

۞ ADM Sleipnir

Ek Chapat, também conhecido como "Senhor Centopeia" (do maia ek,"senhor;  e chapat, "centopeia") é uma terrível criatura dita pertencer à mitologia maia. Ela é descrita como uma centopeia gigante, possuindo cem pernas (como seu nome já sugere) e sete cabeças humanas. 

Habitando as florestas do território maia (segundo alguns relatos ela habitava Xibalba, o submundo), Ek Chapat possuía um modo de agir semelhante à Esfinge do mito grego de ÉdipoEla abordava os viajantes perdidos com enigmas estranhos e enganosos, obrigando-os a respondê-los para que pudessem continuar seu caminho. Caso o viajante não conseguisse responder corretamente, era devorado vivo pelas sete cabeças da criatura. Se deparar com uma trilha de crânios e ossos numa  floresta era o sinal de que Ek Chapat estava próximo.

Arte de Israel Bárron

Conta-se que se a pessoa respondesse o enigma corretamente, Ek Chapat lhe concederia desejos ou lhe ofereceria seus dons extraordinários, como ser capaz de se comunicar com plantas e pedras, ou transformar-se em diferentes animais. Porém, pelo que se sabe, somente um indivíduo foi capaz de adivinhar seu enigma. Este indivíduo era chamado de "Coração Turbulento", e vivia próximo a uma cidade mexicana hoje conhecida como Valladolid. Um dia, enquanto caminhava pela floresta, Coração Turbulento acabou encontrando com Ek Chapat, que lhe recitou um enigma dito impossível de ser decifrado por um ser humano. 

O homem estava perdido, mas naquele momento um deus (não se sabe qual) resolveu ajudá-lo confiando-lhe a resposta do enigma. Coração Turbulento respondeu ao enigma corretamente, deixando Ek Chapat chocado já que isso nunca havia acontecido. A criatura então ofereceu ao Coração Turbulento a oportunidade dele possuir os mesmos poderes que ela, porém, temendo se tornar como Ek Chapat, Coração Turbulento recusou. Ek Chapat não aceitou a recusa, e os dois se enfrentaram num combate até a morte, onde Coração Turbulento saiu vencedor. Desde então, as florestas ficaram livres e os homens puderam caminhar por elas sem temerem ser devorados pela criatura

Uma versão da lenda sobre Ek Chapat conta que ele era o sentinela de um local que servia de covil para um terrível gigante também devorador de homens chamado Ua Ua Pach.


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